Recentemente, a medicina veterinária vem incorporando a cannabis medicinal como uma opção de tratamento em animais. Isso porque Já foi observado a presença do sistema endocanabinoide na grande maioria dos animais vertebrados, entre eles cães, gatos, cavalos e aves.

Primeiramente é preciso entender que esse tipo de tratamento ainda não é regulamentado no Brasil. Em março de 2020, a resolução da Anvisa (RDC 327, de 2019), vetou a prescrição de cannabis por veterinários e dentistas ao restringi-la a profissionais habilitados pelo Conselho Federal de Medicina.

Quem regula a profissão é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e quem a fiscaliza é o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Porém, o estatuto dos médicos veterinários permite que eles adotem quaisquer tratamentos que julguem eficazes, ou seja a utilização não é regulamentada, o que não a permite, mas também não a proíbe. É nesse vácuo legal que os veterinários têm operado, desde então, ao prescrever cannabis a animais.

Como você já sabe, a cannabis possui compostos conhecidos como fitocanabinoides — os mais conhecidos são o CBD e o THC —, além de terpenos, flavonoides e outros.

Para a medicina veterinária parece existir um consenso de que o uso de um extrato que possua vários componentes da planta é mais eficaz que o uso isolado deles. Isso porque um componente favorece a ação do outro, é o que se chama efeito comitiva ou ‘entourage’.

Abaixo, preparamos um pequeno resumo para você entender mais sobre a terapia canábica para pets:

Como funciona? 

A planta de Cannabis sativa L. produz diversos compostos lipídicos conhecidos como fitocannabinoides, como o CBD (cannabinol) e o THC (tetrahidrocannabinol), terpenos e flavonoides, que se encontram principalmente na flor.

Essas substâncias interagem com um um grupo de diversos receptores localizados na membrana celular de diversos tecidos (CB1, CB2) e que são estimulados por cannabinoides endógenos (Anandamida, 2AG), favorecendo a homeostase do organismo.

O CBD inibe o efeito psicoativo do THC, que por sua vez inibe o efeito hepatotóxico do CBD no longo prazo, enquanto os terpenos e flavonoides potencializam os efeitos benéficos dos dois.

As diferenças entre os principais canabinoides para os animais:

  • THC: efeito psicotrópico, analgésico, antiemético, anticonvulsivante, neuroprotetor e anticancerígeno
  • CBD: ação oxidante, neuroprotetora, antiinflamatória, ansiolítica, anticonvulsivante, antidepressiva, antitumoral e anticancerígena

Que doenças trata?

  • Doenças neurológicas
  • Alguns tipos de epilepsia
  • Alguns tipos de câncer
  • Dor crônica e dor aguda
  • Inflamações

Há contraindicações?

Miocardiopatia dilatada e hipersensibilidade

Como se prescreve:

A dosagem depende de cada espécie e/ou raça, segundo a quantidade de receptores do sistema endocannabinoide, idade, peso e comorbidades.

Fatores como variedade, concentração, rastreabilidade e método de extração também influenciam na prescrição.

Metodologia: abordagem individualizada do paciente, com o mínimo de medicamento possível e mediante o controle de sinais e sintomas para ajustes de dosagem

Fontes: Sociedade Brasileira de Estudos de Cannabis e Rede de Cannabis Medicinal Veterinária

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