O impacto da legalização mexicana no mundo é quase imensurável, ao compreender a capacidade de produção para abastecimento do mercado externo, o potencial turístico e o desenvolvimento econômico. Porém, com a votação da lei novamente adiada, é prolongada uma das decisões que mais impactará o mercado canábico dos últimos anos.

Em 19 de novembro de 2020, o Senado do México aprovou um projeto de lei regulamentando o consumo e comércio da maconha para fins recreativos. A lei que visa, sobretudo, reduzir a violência relacionada ao narcotráfico foi aprovada por 82 votos a 18, com 7 abstenções, e permite, agora, o porte de até 28 gramas de maconha, além da comercialização regulamentada. 

Para entrar em vigor, a legislação precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados, que tinha até 15 de dezembro de 2020 para analisar o texto. Devido à pandemia mundial, em 9 de dezembro a Câmara dos Deputados mexicana solicitou à Suprema Corte a prorrogação do prazo final. No entanto, vale notar que a atividade legislativa no México não foi completamente paralisada naquele ano, com muitas outras leis sendo aprovadas pelo Congresso mexicano.

Adiada a votação, a Câmara dos Deputados tinha como prazo final para próxima sessão ordinária este mês, abril de 2021. 

Segundo diversos veículos da imprensa mundial, após a quarta feira de 10 de março de 2021, a maconha para uso recreativo ficou a um passo da legalização no México

Após votação geral da lei que regulamenta a maconha, a Câmara dos Deputados aprovou  e modificou o texto que tinha sido aprovado pelo Senado em novembro. Isso cria a necessidade de passar novamente pela Câmara Alta antes de entrar em vigor, o que provoca automaticamente mais demora para a conclusão. Esperamos.

Oportunidades e desafios

O processo legislativo já dura mais de dois anos, mas agora chegou às últimas etapas. Entretanto, mesmo com a grande influência e embasamento da benfeitoria social, desde sua origem o processo foi marcado por diversos questionamentos. 

Sobretudo, o cenário mexicano é um ótimo exemplo dos interesses e influências políticas quando o assunto é a legalização, já que a lei busca reparar o enorme dano causado pelo narcotráfico. Parece muito positivo, já que além de favorecer a entrada de grandes capitais, transforma o México em um dos maiores mercados de maconha legal do mundo. Porém, quando classificada acima dos direitos dos consumidores e pequenos produtores, coloca em prova a democracia primordial. Entretanto, para Gorilla Finger, as grandes empresas vão converter as pequenas, e promoverá assim, ao contrário do dano, o fortalecimento local.  

Perspectiva brasileira sobre a legalização mexicana

Gorila Finger é o pseudônimo do paulista Luiz Carlos R. M. Jr (32), que vive há cinco anos em Playa Del Carmen, no México. Desde então, acompanha a movimentação canábica de uma lente brasileira, e bateu um papo com a gente sobre como o processo de legalização tem se refletido na sociedade local.

Para ele, a nação mexicana será uma das maiores, se não a maior produtora de cannabis e derivados. Para exportação de abastecimento externo, e também para demandas internas, os potenciais econômicos são promissores e tendem a gerar um grandíssimo impacto positivo na economia, na mentalidade e na sociedade local. 

Ao chegar no país, o choque cultural foi instantâneo ao se deparar com produtos derivados da cannabis sendo comercializados no supermercado. “Aqui eu encontrei pacotes de sementes de cânhamo, sabonetes, vários produtos à venda no Walmart, já na chegada. Ou seja, há cinco anos atrás já existia essa presença no mercado”, e nesse tempo em terras mexicanas, tem percebido uma forte ascensão do mercado canábico, já que em algumas cidades, como Tulum e Playa Del Carmen, que nos últimos sete anos se desenvolveram com muita potência, já comercializam CBD há anos. E cada vez mais cidades atualizam a legislação local, abrindo caminhos para a economia canábica. 

Para Gorila, o turismo canábico tende a proporcionar uma ascensão ainda maior com investimentos de multinacionais que apostam na erva. “Não dá pra delimitar quem se beneficia com a legalização, pois é um ganho coletivo. A criação de empregos, produção agrícola, turismo, comércio, até os produtores menores, que mesmo parecendo desfavorecidos, serão beneficiados com esse investimento”, completa. 

O mercado canábico tem muito a crescer, levando em consideração os índices de ascensão econômica de países e Estados legalizados e os produtos já comercializados legalmente. Além do fato que existe o comércio clandestino, tão bem articulado quanto o legal, que perde força com a legalização.

Ao entender o que significa a expressão ”à la mexicana”, muito parecida com o dizer tupiguarani jeitinho brasileiro, fica claro que ambas sociedades latinas sofrem do mesmo mal. Segundo Gorila, a intervenção clandestina das forças militares é tão real quanto no Brasil, e sem propina, a polícia também se prejudica. 

Isso quer dizer que com a legalização, desde a reparação histórico-cultural e a reforma prisional, até a qualidade de vida e a ascensão do turismo local tem a ganhar. 

E completa, “Quem se beneficia é a população principalmente. Mesmo com alguns desfavorecidos, esse novo começo é muito promissor. Somente o tráfico e o mercado negro são prejudicados, será um novo tempo no México”. 

Ganho coletivo

O Turismo canábico será uma das zonas mais beneficiadas. Entretenimento, lifestyle e hotéis, que já são explorados, como as Pirâmides Maias, onde já existem rituais de DMT, ganham muito mais força com a cannabis. A possibilidade de tratamentos e terapias canábicas pode ser um grande incentivo econômico. 

A discussão mais difícil, que adia a votação e a decisão, é a temática da criminalidade. A lei deve amparar os julgados como criminosos e tratá-los como sendo usuário. Prisões injustas e altos índices de criminalidade tendem a diminuir, porém a discussão dá ênfase a uma necessária reforma legal, que promove por si só, grandes impasses políticos. 

E já que peixes grandes comem mais, as cidades como Guadalajara ou a capital, Cidade do México, irão comportar as maiores empresas. Quem também reflete no turismo e nos investimentos, com maiores capitais, promoverá maiores movimentações. 

Inegavelmente, o ganho tende a ser coletivo e praticamente imensurável, ao compreender que a economia mundial será impactada. Segmentos hoteleiros, farmacêuticos, agrícolas e até de entretenimento ganham espaço. 

Do Brasil a gente segue torcendo pela celeridade do processo de legalização mexicana, almejando dias mais verdes e sonhando com o dia que essa será a realidade brasileira.

*Conteúdo e entrevista por Rafaela Rafagnin.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.