No Brasil, com a cannabis ainda ilegal, o tráfico fica responsável por suprir a oferta para a ampla demanda que existe e que nunca deixará de existir. Sem regulamentação para o plantio ou cultivo da planta, acabamos tendo acesso a uma maconha de baixa qualidade, o prensado.

Maconha ”importada”

A cannabis consumida no Brasil vem, majoritariamente, do Paraguai, onde a maconha também é ilegal. O plantio, colheita, secagem e processamento da cannabis paraguaia é feita de maneira bastante inapropriada, sem muitos cuidados.

Segundo reportagem da Agência Pública, sobre a produção do prensado no Paraguai, a cannabis é colhida com os galhos, plantas e flores, a secagem é mal feita e a planta é manipulada e armazenada de maneira inadequada, o que propicia a proliferação de fungos ou até mesmo o apodrecimento (por isso alguns prensados têm cheiro de amônia). Além disso, a estocagem descuidada permite que insetos se misturem no meio da cannabis e seja prensado junto à matéria vegetal.

Após todo cultivo, colheita, manuseio, armazenamento e processamento impróprios, é feita a prensagem dessa maconha. ”A prensa ocorre por uma questão de logística: ela diminui muito o volume e permite aos traficantes transportar mais quilos de forma mais discreta”, confirma afirma a reportagem. 

Reflexo do proibicionismo

Devido à Guerra às Drogas e consequente proibicionismo, para chegar ao mercado brasileiro e suprir a grande demanda que existe, a cannabis é produzida sem controle de qualidade ou higiene e tem que ser transportada com discrição, ou seja, prensada, para permitir que uma grande quantidade entre no país. 

É claro que no Brasil é possível ter acesso àqueles buds verdinhos e cheirosos, a verdadeira flor da cannabis, mas como o cultivo e plantio são proibidos aqui, o acesso a essa maconha é mais escasso, o que acaba tornando-a cara. 

Por isso, o prensado é barato: é produzido sem qualidade e em grandes quantidades. Se a cannabis fosse legalizada, haveria um controle sobre o plantio, cultivo, processamento, armazenagem e venda, proporcionando uma maconha ”de verdade” para os consumidores e acessível. Além disso, se temos um produto legal e regulamentado, é possível saber os níveis de THC e CBD da maconha que será consumida e conhecer os efeitos que proporcionarão. 

De maneira geral, a cannabis prensada apresenta diversos malefícios para a saúde, não sabemos o que de fato está misturado à planta: pode ser agrotóxico, inseto, amônia, fungos ou tudo junto. E, claro, todos seus potenciais terapêuticos são perdidos na produção indevida.

É a mesma lógica de quando houve a Lei Seca nos Estados Unidos na década de 1920: proibiu-se o álcool, mas as pessoas não deixaram de consumir, portanto, o mercado negro passou a produzir como dava, sem controle de qualidade, para atender a demanda. As pessoas passaram a consumir bebidas de baixa qualidade e nocivas à saúde, exatamente como a maconha prensada. 

Redução de danos

Enquanto a cannabis segue ilegal no Brasil e temos que lidar com a realidade do prensado, é importante tentar usá-lo de forma mais segura.

Algumas dicas são: lavar o prensado, usar piteira, armazenar o prensado de maneira correta (em lugar escuro e sem umidade, para evitar o mofo) e não consumir a maconha se estiver mofada. 

O caminho para nos livrar do prensado é a legalização, por isso temos que continuar lutando por uma legislação que permita o plantio, cultivo e venda de cannabis, de maneira acessível. Só assim teremos acesso a uma maconha de qualidade. 

Sabemos que não é permitido plantar no Brasil ainda, mas existem pessoas que cultivam para não alimentar o tráfico e não depender do prensado. Do mesmo lado da moeda, sabemos que é ilegal comprar, mas não deixamos de consumir. 

Então, se você quiser plantar para não comprar, no Ganja Talks University ensinamos técnicas de cultivo orgânico, para você poder consumir uma maconha ”de verdade”!

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