A maternidade tende a ser um processo solitário, de descobertas e muitas mudanças. Entretanto, sabe aquele ditado, “antes só que mal acompanhadx”? Para não deixar as mulheres sozinhas, uma grande aliada é a cannabis. E já que são as fêmeas que dão a onda, conheça a história de Bárbara Bauermann, mulher, mãe e maconheira, que superou a depressão após relacionar-se com a cannabis. 

Maternidade e cannabis

Dialogar sobre o consumo da erva é, muitas vezes, um desafio. Seja pela convenção social que estamos inseridos, seja pela falta de apoio e excesso de preconceito, as abordagens sobre o tema ainda necessitam de cautela e muita paciência. 

Como mulher, mãe, e hoje, idealizadora do projeto A Cannabista, usuária e paciente de cannabis medicinal, revendedora oficial da Linha Canábica da Ba e associada da Família Apepi, Bárbara Baurmenn conseguiu, através da cannabis, diminuir drasticamente o consumo de alguns medicamentos e até anular alguns ansiolíticos, que já a acompanhavam a mais de uma década, melhorando, assim, sua saúde, qualidade de vida e de convívio com a família. 

Mesmo com a recomendação um tanto quanto assustadora vinda da antiga psiquiatra, que ao ser questionada por Bárbara sobre o uso da cannabis, comentou sobre a possibilidade da mesma desenvolver esquizofrenia, após alguns anos e algumas experiências de consumo bem sucedidas, recorreu a novas opiniões. “Comecei a fumar por fumar. Fumei com meu irmão mais novo em 2019 e me relaxou, consegui fazer minhas tarefas do dia a dia. E depois de algum tempo, procurei um médico que prescreveu, ao concordar que era mais benéfico o consumo da erva, que do álcool, que pra mim era uma espécie de compulsão”. 

As melhores experiências com a cannabis estão relacionadas com a beneficência da saúde. 

Como mãe da Maria Julia, que completou 10 anos hoje (parabéns Maju), Bárbara também é mãe da papagaia Loreta, da cachorrinha Coco e vovó do hamster de Maju. Para ela, o processo maternal foi um tanto quanto dificultoso. Porém, maravilhoso. “Às vezes ter um parceiro pode ser bem mais complicado que estar sozinha. Desde o momento que engravidei, foi complicado. Não foi planejado. Mas, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, completa. 

Diálogo  

Segundo Bárbara, “Em meus ambientes sociais procuro falar sobre cannabis, e acho interessante que até minha família já comenta sobre isso. A mudança com as medicações causou um certo aprendizado até na minha mãe, que agora olha a realidade de algumas pessoas que fazem uso de fármacos, e que poderiam ser tratados com cannabis”. 

Por fumar todo dia, o diálogo sobre o assunto é natural. Sem barreiras, sem constrangimentos, e com muita classe, se posiciona de forma satírica ao ser questionada com piadinhas e brincadeiras. “Nossas antigas gerações tiveram outra criação, não tem jeito. É por isso que devemos tentar respeitar essa educação de décadas atrás, e procurar conversar com naturalidade sobre o assunto”. 

Nem sempre foi tão segura para conversar sobre o assunto com a Maju, mas frente ao tratamento da depressão e ansiedade, acredita que seja melhor ter orientação psicológica, não apenas pelo uso da cannabis. Por possuir o histórico dos tratamentos com ansiolíticos, tenta manter resguardo sobre alguns assuntos, para não fragilizá-la e ter a certeza de que a conversa certa virá no momento mais adequado. 

Consciência Social 

Mesmo com os muitos questionamentos sobre o porquê de se expor, porquê cannabis, e como isso traria algum retorno, Bárbara é categórica: “Nunca me importei”.

“Quando comecei o uso da cannabis e me associei à Apepi, isso tudo mexia comigo. A guerra às drogas e todos os resultados e histórias dos pacientes, foi assim que percebi que tinha uma missão. Pela condição de vida, pela família que eu tenho, e pela oportunidade de poder falar sobre cannabis, precisava utilizar meus privilégios em nome de algo maior”, comenta.  

Mulher, mãe e canabista, o lado mãe é quem mais sofre preconceito contra a erva. E para responder qualquer posicionamento, gostaria que as pessoas conhecessem seu antes e depois, enquanto mãe. “É cansativo, mas é uma causa que deve ser combatida” comenta Bárbara.  “Só conheci o óleo do CBD porque fumei, então não acredito que o melhor seja só o óleo. O fumar também é muito benéfico, mais acessível, e até mesmo mais social”, completa.

Bárbara é mais uma mãeconheira dessa nossa nação que avança em pequenos passos rumo a dias mais verdes. Paciente e ansiosa, aguarda pela hora em que não terá mais restrições sobre o diálogo sobre o consumo da cannabis com Maju, e claro, com qualquer pessoa que seja. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.