Alguns Estados Norte Americanos têm debatido protocolos e medidas para produção de cannabis que sejam mais amigáveis ​​com o planeta. A ocasião dá a oportunidade de analisar os impactos ambientais da indústria canábica, bem como as respostas legislativas a esses desafios.

Cannabis e meio ambiente

O último mês (abril) foi cenário de algumas datas que destacaram a cannabis, o “Weed day”, dia 20, e o Dia da Terra, celebrado no último dia 22. Ambas as datas apontaram a necessidade de conscientizar e analisar os impactos ambientais da indústria da cannabis, como também as respostas legislativas a esses desafios.

Mesmo da perspectiva brasileira, onde a legalização caminha devagar, é interessante entender que em lugares onde a cannabis possui abertura, existe a necessidade de controle, ajustes legislativos constantes, e claro, debates sobre o impacto ambiental da produção.

As consequências da produção de recursos naturais demandam ajustes, já que a extração de recursos, qualidade do ar e da água, e gerenciamento de resíduos são apenas alguns dos problemas ambientais enfrentados pelas operações de cultivo interno, externo e em estufas.

A indústria da cannabis tem lucrado muito com suas práticas atuais, e diante de seus impressionantes US$ 21 bilhões de aquecimento econômico, é claro que os legisladores tendem a propor restrições mais elevadas, incentivos verdes e taxas de licenciamento mais altas para compensar alguns dos custos ambientais de produção e fabricação.

Cultivo ilegal

Sabemos que não é só a produção legal que consome recursos naturais. Os impactos negativos das operações de cultivos ilegais perpassam o meio ambiente também, com o uso de inseticidas proibidos, desvio ilegal de água de córregos e escoamento químico não controlado. Ou seja, as operações ilegais, além de seus impactos econômicos e sociais nocivos, ainda podem ter um impacto ambiental devastador.

Como em qualquer atividade agrícola, a degradação do solo é um fator determinante quando se analisa o impacto da produção. E neste caso, a carga tem sido cada vez maior sobre os sistemas de água e energia, bem como a emissão de carbono e, curiosamente, os compostos orgânicos voláteis dos terpenos.

Nesse aspecto, existem cientistas, ativistas e legisladores, para garantir que os lucros crescentes do mercado de cannabis, que aumentam cada vez mais, não venham às custas da saúde planetária.

Medidas Governamentais

Em Washington (EUA), a Puget Sound Clear Air Agency impôs a exigência de que os produtores e processadores recreativos de maconha cumpram os regulamentos de qualidade do ar depois de obterem o licenciamento

Isso envolve o pagamento de uma taxa por uma licença de Aviso de Construção, que detalha o equipamento de controle de odores e informações de uso de solventes, bem como o envio de uma visão plana da instalação, um desenho esquemático do sistema HVAC e uma lista de verificação ambiental, entre outros requisitos.

Já na Califórnia (EUA), Conselhos de Água administrados pelo governo estadual exigem que os produtores autorizados registrem os direitos à água e sigam diretrizes rígidas que incluem proibições de desviar a água de superfície, no período de abril a outubro, além de irrigar com água armazenada durante a estação seca. Quaisquer resíduos não destinados ao consumidor, produzidos em operações de cannabis de fabricação de cartuchos de vapor e canetas no Estado, devem ser gerenciados por recicladores de eletrônicos, o que coloca a Califórnia à frente da maioria dos Estados nesta prática específica.

O Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia proíbe “a emissão para a atmosfera externa de qualquer contaminante malcheiroso”, requisito que desligou mais de uma operação de secagem de cânhamo de processamento no Estado, enquanto incentiva outros a atualizar seus geradores e purificadores de ar para manter os negócios funcionando.

Outros Estados norte-americanos, como Nova Jersey, regulamentaram certas áreas como terras protegidas, habitat de crustáceos, pântanos e zonas ribeirinhas, os quais exigem licenças ou autorizações especiais para serem usadas no cultivo de cannabis.

No Colorado (EUA), existem códigos municipais que exigem que as empresas de maconha utilizem energia renovável para compensar 100% de seu consumo de eletricidade como parte do Plano de Ação Climática e Sustentabilidade. Além disso, vários governos locais no Colorado, em conjunto com o Estado, prepararam um “Guia de Melhores Práticas Ambientais da Cannabis”.

Dessa forma, as operações de maconha podem unir esforços, para garantir que o ”boom” da maconha não seja um fracasso para o meio ambiente e, assim, a produção pode permanecer benéfica não apenas para a rentabilidade econômica, como também para o meio ambiente e consumidores de cannabis como um todo.

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