Quando o assunto é música brasileira, são diversos gêneros que reverberam mensagens sobre vivências, amores e suas desilusões, histórias e relatos. É neste cenário musical tupiniquim que o rap se destaca.

Indo de encontro com as problemáticas sociais, através das letras e batidas, o rap nacional assume a carga da reivindicação, da revolução e, ainda, a válvula de escape de tantos artistas, que com suas realidades musicalizadas, aliam beats e letras que provocam quem escuta.

Para entender mais sobre a lente do MC, trocamos uma ideia com Chinv, nome artístico do Iago das Neves Sivi, morador de Jundiaí, extremo norte de São Paulo. Muito além das letras, nos apresentou seus posicionamentos, trajetórias e anseios. Confira.

Quando começou sua trajetória no rap?
Profissionalmente, desde 2016, quando entrei para a produtora, a Sound Food Gang. Mas em 2011 eu comecei a fazer as primeiras captações sonoras. Porém o interesse surgiu lá atrás, ainda era pivete, em 2007, 2008, fazendo freestyle na rua, de brincadeira.

De onde surgiu o interesse em fazer música?
Meu avô tocava cuíca, pandeiro, então essas raízes do samba agregaram muito na minha bagagem cultural, enquanto músico.

Sobre a Sound Food Gang, de onde surgiu?
O coletivo da gravadora uniu interesses em comum do grupo, aliando música e comida. Cada artista atua em seu estilo, mas o que unifica o grupo além das rimas é a comida.

Como é o processo criativo?
As inspirações vem do todo, de tudo mesmo. Das vivências, das análises sobre o que tem acontecido. A rua, o skate, o grafitti… minhas inspirações vem disso. É um processo natural, sem rituais, sem normas. Na verdade, o ritual é diário e constante, de viver e estar presente, absorver o que acontece e tirar lições disso. Se o espírito está calmo, a criatividade flui.
A necessidade de escrever e desabafar nas letras, sobre o que eu absorvo. A música acaba sendo, antes de tudo, uma ferramenta de desabafo.

Qual a responsabilidade do rap, na temática canábica?
O rap é uma das poucas vertentes, senão a única, que possui a liberdade de abordar todos os assuntos sociais. Passa a ser uma espécie de responsabilidade, enquanto integrante da cena do rap, abordar esse tema.
Muitos artistas já foram presos, oprimidos, e isso abriu caminho para nós, da nova geração, trabalhar essas ideias. Independente do estilo do mc, abordar de forma subliminar, ou sem censura, a responsabilidade do rap é desmistificar o tabu da droga, que não passa de um remédio.
Eu fumo maconha e não sou “Zé Ruela” por isso. Tô fazendo meu dinheiro, tô erguendo meu império. Nossa missão é estimular o diálogo sobre a erva, sobre a desigualdade, sobre o cotidiano em geral.

Conheça o trabalho do Chinv e entenda mais sobre essa nova geração, que muito além do auto tune, tem revolucionado o cenário nacional.

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