Já dizia Criolo, “A farmácia é uma biqueira com CNPJ”…

É com essa citação do rapper que abrimos o diálogo sobre o uso da palavra DROGA. 

Na definição farmacêutica, a droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética, que, uma vez introduzida no organismo, modifica suas funções. Nesse sentido, café, álcool, nicotina e diversos medicamentos são drogas.

A questão é que existem diversas percepções acerca da palavra. Pensando na área farmacológica, intitula-se ”droga” substâncias com potencial de prevenir, curar doenças ou aumentar o bem-estar físico e/ou mental. Essas são as drogas lícitas, permitidas.

Mas, claro, existe o lado ilícito de tais substâncias. Assim como existem as ”drogas legalizadas”, que causam alterações no nosso organismo, mas usamos cotidianamente, existem também as ilícitas.

As drogas ilícitas são todas as substâncias sob controle internacional, previsto em Convenções da Organização das Nações Unidas (ONU) e que são usadas para fins não medicinais.

Daí vem um dos principais argumentos de que a cannabis não deveria ser considerada ilícita, nem estar proibida no regime internacional de controle de drogas, uma vez que possui diversas aplicações medicinais.

Mas o que importa é que ”droga” é um termo bastante abrangente e existe um estigma que envolve os usos e aplicações de tal palavra.

Afinal, natural ou não, quando o papo é sobre “drogas” é quase involuntário o impacto do tema. Se qualquer agente que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos é classificado como droga, de onde vem a marginalização do termo? 

Etimologia

O termo tem origem na palavra francesa drogue, provavelmente derivada da expressão neerlandesa medieval droge vate de tradução livre, tonéis secos. Por substantivação, “droge” passou a designar o conteúdo do tonel, neste caso, o produto seco.

Repressão 

Este “produto seco” é a mesma droga que fixou o termo usado para substâncias lícitas e ilícitas. 

Com a proibição de diversas substâncias sob controle internacional, o termo ”droga” passou a ser associado com substâncias que foram estigmatizadas social e culturalmente, o que levou a uma distorção do termo.

Ao analisar a presença da cannabis na história, bem como suas influências culturais, é compreensível que a mesma tenha sido subjugada, assim como o termo droga, que desqualifica tanto o termo, quanto a erva. 

Pra entender melhor, o estigma e a desqualificação aplicada no termo DROGA podem ser justificados pela repressão aos produtos e substâncias, que mesmo de origem natural, adquiriram essa má fama. 

Diálogo

Essa ”distorção” do termo é a prova do nosso dever de dialogar sobre a temática o máximo possível, a fim normalizar o assunto e abolir tantos estigmas que rondam substâncias ilícitas, como a cannabis, e questionar a licitude de outras tantas substâncias com efeitos colaterais graves, mas amplamente aceitas.

Esta é nossa primeira publicação de uma série pensando no diálogo sobre os usos e conceitos aplicados na temática das “drogas”. Abrangente e ao mesmo tempo muito particular, esse universo merece ser explorado.

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