É no mínimo coerente acreditar que uma planta conhecida como Mary Jane pudesse destruir o patriarcado. E não é apenas nas safras e growers espalhados por aí que as fêmeas têm tido preferência.

No mundo dos negócios, as mulheres da indústria da maconha avançam de maneira tão rápida, que poderiam torná-la a primeira indústria de bilhões de dólares não dominada por homens. 

Durante os últimos anos, centenas de mulheres tomaram frente em propriedades especializadas em produção para a recentemente regulamentada indústria da maconha. De acordo com uma pesquisa de 2019 do Marijuana Business Daily, 37% dos executivos da maconha são mulheres, com classificação superior à média nacional de 21% de mulheres em cargos executivos em qualquer negócio.

Embora a indústria ainda seja predominantemente masculina e as estatísticas de emprego sejam nebulosas, ao que tudo indica,  o poder e a influência das mulheres está em ascensão. 

Ainda em 2014, foi lançado o Women Grow, grupo profissional de redes femininas de maconha, com apenas 70 pessoas. Hoje, as reuniões mensais do grupo acontecem na primeira semana de cada mês, em mais de 30 cidades, e atraem mais de 1.500 mulheres em toda a América do Norte. 

À medida que mais mulheres agitam a indústria da maconha e se unem para estigmatizar o botão verde por meio da educação, arte, cultura e produtos de beleza e bem-estar com infusão de CBD, aumenta a facilidade para marcas femininas de cannabis, navegarem  pelos enredos complexos deste negócio. 

Além do apoio a outras mulheres da indústria da maconha, existe um movimento para abordar as desigualdades e o policiamento em torno das drogas recreativas que têm como alvo grupos marginalizados. Exemplo disso, é a Not Pot, fundada por Kati Holland, de 23 anos, que criou a marca de edibles com a missão de normalizar a planta, apresentando ao público suas gomas de CBD frutadas, com objetivos que se estendem a ajudar a desfazer os efeitos do sistema de justiça criminal desonesto. Com o fundo de fiança Not Pot, a empresa apoia uma organização autofinanciada que combate o encarceramento em massa, que visa primordialmente, colaborar com as comunidades marginalizadas.

A Marijuana Business Association, grupo comercial com sede em Seattle, fundou a Women’s Alliance em 2014. Já o Women of Weed, é um clube social privado em Washington, que viu seu número de membros aumentar de oito para 300, em um curto espaço de tempo.

Assim como em Washington, as mulheres no Colorado foram importantes na elaboração e implementação da emenda norteadora da legalização. Entre a comissão feminina de mulheres que tem feito a diferença nos espaços de tomada de decisão, se destacam a advogada Tamar Todd, agora diretora de legislação e políticas sobre cannabis da Drug Policy Alliance, além de Betty Aldworth, porta-voz principal e agora diretora executiva do Students for Sensible Drug Policy, que apóia outras jovens ativistas, bem como Rachelle Yeung, agora advogada do Vicente Sederberg – escritório de advocacia voltado para a cannabis. 

Nos dois estados citados acima, o principal grupo demográfico nos movimentos de legalização, foram mulheres de 30 a 50 anos de idade, segundo estudo do Observatório de Política de Drogas Global.

Outro indicativo dessa presença feminina, é o relato da ativista pró-reforma das políticas de drogas, Shaleen Title, que dirige uma agência de recrutamento de maconha. Segundo ela, pelo menos metade dos empregos que sua empresa oferece são destinados à mulheres. A empresa de Title é a THC Staffing, que pertence e é administrada inteiramente por mulheres.

Os homens da indústria de ganja também notaram as novas mulheres, segundo o comentário de Chris Walsh em entrevista a Newsweek, “É comum encontrar mulheres dirigindo negócios em toda a indústria e ocupando cargos importantes em dispensários, lojas de varejo, operações de cultivo, empresas de infusão e empresas auxiliares”, disse o editor fundador do Marijuana Business Daily

Ainda que no Brasil as políticas antidrogas ainda estejam muito distantes do que se espera, nós brasileiras temos a oportunidade de analisar os pontos fortes dessas iniciativas e assim nos preparar para uma grande revolução verde feminina. 

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