Facilmente encontrados e em valores acessíveis, a indústria do álcool e do tabaco estão presentes em nossas vidas desde que nascemos. Afinal, é comum celebrar nascimentos com charutos, ou ainda brindar, para comemorar ocasiões e reuniões especiais. 

Postos de combustível fazem vendas de produtos alcoólicos e fazem campanhas para não beber e dirigir, e carteiras de cigarros contém avisos em pelo menos 45% da embalagem, para alertar sobre os danos provocados pelo consumo, e a grande questão é: se faz tão mal, por que ainda insistimos em consumir?

Legais, altamente viciantes e de produção, venda e consumo normalizados na maior parte do mundo, são também as drogas mais usadas no planeta.

De fato, isso as tornam as substâncias viciantes que representam de longe, o maior fardo à saúde pública global, muito mais do que todas as drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína e outros opióides, sendo o tabaco responsável por 9% de todas as mortes, enquanto o álcool é apontado como responsável por 3,2% e as drogas ilícitas, por 0,4% de todas as mortes.

Existem evidências de que o consumo destas substâncias psicoativas é presente em todo o mundo, e é associado a muitos problemas de saúde pública. Tais substâncias e suas consequências provocam uma grande variedade de problemas de saúde, sociais, financeiros e de relacionamento. 

PRIMEIROS CONTATOS 

As publicidades praticamente sem restrições na grande maioria dos países, aliadas ao comércio legal, colocaram o consumo de bebidas alcoólicas na marca de 6,42 litros anuais de álcool puro per capita da população mundial com mais de 15 anos em 2015. A mesma pesquisa apontou que mais da metade das pessoas nessa faixa etária já beberam pelo menos uma vez na vida, e cerca de 63,5 milhões são consideradas dependentes.

Já em relação ao tabaco, que sofreu uma onda de limitações publicidade e consumo nas últimas décadas, os índices apontam 15,2% de uso diário em 2015, com uma grande diferença entre homens (25%) e mulheres (5,4%). 

PROIBIÇÃO RESOLVE? 

Ao comparar a letalidade das substâncias, e a normalidade do acesso dentro da sociedade, é notável que a solução para o problema não está na proibição, mas em uma mudança de atitude dos governos, e da cultura da população, com relação ao uso dessas drogas, em especial o álcool. 

O fato de serem permitidas não diminui os danos que podem causar, e juntas, tem a maior incidência de uso, e abuso, no planeta. E é nesse ponto que entra a conscientização individual de cada um, cabível também a tantas outras substâncias.

DANOS AO ORGANISMO  

Álcool 

O consumo de álcool produz efeitos que se manifestam em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora. 

Inicialmente, os efeitos tendem a ser estimulantes, como euforia, desinibição e eloquência. Em seguida, começam a aparecer os efeitos depressores, como falta de coordenação motora, descontrole, sono, e em alguns casos, pode levar ao estado de coma. 

O uso abusivo e a dependência do álcool podem levar os indivíduos a desenvolver vários tipos de doenças, frequentemente associadas ao fígado, como esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose, problemas do aparelho digestivo, como gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite, e ainda, os casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e câimbras nos membros inferiores. 

Tabaco

Ao interagir com os receptores neurais, a nicotina libera substâncias como a dopamina, acetilcolina, serotonina e betaendorfina. Isso confere sensação imediata de prazer, com variações de alívio. 

Com capacidade de agir no cérebro humano em até 20 segundos, a Nicotina é considerada uma droga de alto poder de dependência, e além dela, o cigarro contém substâncias como gás carbônico, monóxido de carbono, amônia, benzeno, zinco, naftalina, entre outras, responsáveis pelo riscos de desenvolver problemas de saúde como cânceres, doenças coronarianas, má circulação sanguínea , enfisema pulmonar, bronquite crônica, derrames cerebral, impotências sexual.

MORTES 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, sendo mais de 7 milhões dessas mortes provocadas por pessoas que fazem uso direto desta substância, enquanto cerca de 1,2 milhão de mortes, são resultado de não fumantes expostos ao fumo passivo.

Já o consumo abusivo de álcool em todo o mundo, causa cerca de 3,3 milhões de mortes por ano. Equivalente a 5,9% de todas as mortes, o percentual masculino corresponde a 7,6%, enquanto entre as mulheres, 4,0%. Isso representa uma, a cada vinte mortes. Sem citar as mortes provocadas por embriaguez ao volante e crimes passionais, incentivados pelo consumo de álcool, que contabilizam milhares de vidas ceifadas.

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