O Professor e Doutor Raphael Mechoulam foi o responsável pelas descobertas mais importantes sobre a maconha, sendo considerado o ”pai da cannabis”. 

Químico e especialista em bioquímica, deu início às primeiras descobertas sobre cannabis há 55 anos atrás. Isolou e especificou a estrutura molecular dos canabinóides e decifrou o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), para citar apenas alguns de seus estudos em relação à planta.

Hoje, aos 89 anos, ainda faz pesquisas sobre os potenciais da cannabis, sobretudo para medicina, e é professor da Universidade de Jerusalém, em Israel (país que se tornou referência em pesquisas e desenvolvimentos de cannabis devido ao importante trabalho científico de Mechoulam e seus colaboradores).

Os mistérios da cannabis

Em entrevista para Vice, Mechoulam comenta que aos 34 anos de idade começou a pesquisar temas ainda inexplorados na ciência e percebeu que ”havia poucos conhecimentos químicos sobre os componentes da cannabis. Achei isso surpreendente: enquanto a morfina tinha sido isolada do ópio e a cocaína da folha de coca, ninguém tinha estudado a química da planta da maconha”. 

Em seguida, conseguiu maconha para suas pesquisas e isolou, um a um, todos os componentes da planta. Testando, em seguida, cada um individualmente em macacos. A primeira descoberta surpreendente foi sobre os efeitos únicos do THC. Os macacos que o consumiram pareceram sedados e bêbados.

Ele também conseguiu provar um fenômeno que hoje guia as investigações sobre cannabis medicinal: cada pessoa reage de forma diferente aos canabinóides, à exemplo do THC, sua primeira descoberta, na qual percebeu que cada pessoa sob efeito do mesmo, agia de maneira diferente.

Após essa descoberta, ele passou a explorar as aplicações medicinais de seus componentes, em particular o THC e o CBD. 

Veio a Guerra às Drogas, nos anos 1970, e a consequente perseguição da cannabis, mas Mechoulam não parou de investigar sobre os mistérios dessa planta. 

No final dos anos 80, ele começou a estudar as maneiras como o THC interagia com o sistema nervoso. E uma pesquisadora da sua equipe, Allyn Howlett, descobriu, em 1988, que o cérebro da maioria dos animais tem um receptor no sistema nervoso designado especificamente para interagir com o THC: o CB1.

Se ainda não bastasse a descoberta dos receptores endocanabinóides no organismo humano, Mechoulam foi além e, em 1992, descobriu a anandamida (composto produzido pelo corpo humano, localizado dentro e ao redor do cérebro, que se ligava ao receptor que ele tinha descoberto anos antes).

Com a descoberta do CB1 e da anandamida (e mais tarde a descoberta de um receptor similar, o CB2), ficou evidente para Mechoulam e sua equipe que o corpo humano continha um sistema de receptores e compostos muito similares aos encontrados na maconha. Eles chamaram isso de sistema endocanabinóide.

E, hoje, com mais pesquisas desenvolvidas, ele afirma: ”O sistema endocanabinóide é muito importante. Quase todas as doenças estão ligadas a isso de um jeito ou de outro. […] desde que os níveis de anandamida – e outros endocanabinóides descobertos desde então – se mantenham estáveis, o corpo humano vai realizar suas funções corretamente. Se esses compostos se desequilibram, a ciência pode usar canabinóides como o THC e o canabidiol da planta da maconha para curar muitas doenças”. 

Descoberta recente

Mesmo com 89 anos, Raphael Mechoulam continua fazendo pesquisas e, recentemente, descobriu – em parceria com uma empresa farmacêutica – como estabilizar as substâncias originais da cannabis. 

Enquanto a medicina está começando a fazer uso do THC e CBD, esses canabinóides são, na verdade, substâncias secundárias e Mechoulam já está a frente: descobriu como estabilizar um ácido presente na planta com compostos muito mais potentes do que estes canabinóides, o ácido canabidiólico. Ao estabilizá-lo, Mechoulam obteve o éster metil ácido canabidiólico (EPM301).

Por serem instáveis, os ácidos canabidiólicos eram inúteis no desenvolvimento de medicamentos farmacêuticos. Mas, ao descobrir como modificar os ácidos de uma forma que os mantêm estáveis ​​o suficiente para permitir seu uso em larga escala, Mechoulam afirma que “isso abre a porta para novos experimentos farmacêutico”, afirma em entrevista para Benzinga.

Ainda podemos esperar muitas descobertas em relação à cannabis, que abriga potenciais incríveis. Mas muito do que se sabe hoje e os desenvolvimentos futuros são graças à Raphael Mechoulam, que mais de meio século atrás, resolveu investigar os mistérios dessa planta tão importante. 

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