Alguns estudos apontam que a maconha de alta potência (com concentrações elevadas de THC) pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos psicóticos como a esquizofrenia.

Porém, uma nova pesquisa brasileira indica que o CBD pode ser promissor no tratamento de tal transtorno.

(Imagem: reprodução News – Medical Life Sciences)

Experimentos feitos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de São Paulo (USP) revelam que o CBD pode vir a ser uma opção para tratar a esquizofrenia, tendo apresentando efeito similar ao de outros fármacos já usados contra esse problema, mas com mecanismo de ação distinto.

Por que é relevante?

O estudo é promissor porque indica novas perspectivas de tratamento para um distúrbio mental que atinge cerca de 20 milhões de pessoas no mundo, das quais por volta de 2 milhões no Brasil. 

Talvez o CBD possa evitar os efeitos indesejáveis dos medicamentos utilizados para tratamento da esquizofrenia, os quais agem no sistema nervoso central e possuem efeitos colaterais: a clozapina pode causar ganho de peso, o haloperidol tremores e, ambos, sonolência.

(Imagem: reprodução Harvard Health)

Novas hipóteses

O estudo também reforça novas hipóteses sobre a origem e evolução da esquizofrenia ao mostrar que os danos poderiam ir além dos neurônios e atingir outras células do sistema nervoso central, os oligodendrócitos.

De qualquer forma, pesquisadores afirmam que o CBD protege um tipo de interneurônios que participam da regulação dos estímulos excitatórios e inibitórios no cérebro. 

Quando esses interneurônios são danificados, podem levar a perda de controle da atividade de neurônios, resultando em algumas características da esquizofrenia, como alucinações e delírios. 

O CBD também ajudou na recuperação do bom funcionamento dos neurônios, atenuando alguns efeitos da esquizofrenia. 

Possibilidades

A ação do canabidiol está associada, há décadas, a dois receptores, o CB2 e o CB1, mas pode ir muito além

Em testes com camundongos, detalhados em junho de 2020 na Pharmacological Research, o grupo de pesquisadores da USP mostrou que o CBD pode ter um efeito antipsicótico e atenuar alterações de comportamento, características da esquizofrenia, que, atualmente, são tratadas com o fármaco clozapina. 

Apesar dos resultados promissores, ainda existem algumas questões que precisam ser resolvidas antes da ampla aplicação do CBD na psiquiatria. 

Uma delas é a baixa biodisponibilidade, ou seja, a velocidade e extensão com que o CBD é absorvido no organismo e chega no local de ação é baixa, o que faz com que altas doses sejam necessárias.

(Imagem: Unsplash)

Efeitos colaterais

Com doses mais altas, alguns efeitos colaterais se apresentam, como tremores e rigidez muscular. 

Em novembro de 2019, a FDA (Food and Drug Administration, dos Estados Unidos) alertou que o uso do canabidiol além das doses recomendadas pode causar danos ao fígado, problemas gastrointestinais e alterações de humor. 

Em outubro de 2020, a agência apontou que os efeitos do uso prolongado dessa substância sobre o cérebro e a fertilidade ou em fetos são desconhecidos.

Dessa forma, mais pesquisas precisam ser feitas, sobretudo em humanos, para entender as reais potencialidades e possíveis efeitos indesejáveis do CBD para esquizofrenia. 

De qualquer forma, os estudos já em desenvolvimento se mostram essenciais para criar novas alternativas e trazer novas descobertas e perspectivas para a área da psiquiatria. 

Fonte: Carlos Fioravanti, Pesquisa FAPESP

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.