O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais incidente em mulheres de todas as regiões, após o câncer de pele não melanoma.

O Instituto ainda aponta que o câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, sendo a mais frequente em quase todas as regiões brasileiras.

(Imagem: Freepik)

Cannabis e câncer

Já existem pesquisas publicadas, e em andamento, que investigam os potenciais dos canabinóides no tratamento do câncer

Centenas de artigos científicos sobre o tema foram publicados, mas ainda não foram encontradas evidências suficientes para provar que os canabinóides podem tratar o câncer de forma segura e eficaz.

Isso pode ser explicado pelo fato de que praticamente todas as pesquisas foram feitas com células cancerígenas cultivadas em laboratório ou em animais. 

Embora esses estudos sejam uma parte vital da pesquisa, fornecendo indicações dos benefícios da cannabis no tratamento do câncer, elas não são necessariamente verdadeiras para as pessoas.

Até agora, os melhores resultados de estudos de laboratório vieram do uso de uma combinação altamente purificada de THC e CBD. 

(Imagem: reprodução Open Access Government)

Os pesquisadores também encontraram resultados positivos usando canabinóides artificiais, como uma molécula chamada JWH-133.

Os experimentos em laboratório examinaram vários tipos de câncer, incluindo glioblastoma, tumores cerebrais, câncer de próstata, mama, pulmão e pâncreas. 

De maneira geral, o que se descobriu até agora é que diferentes canabinóides parecem ter efeitos diferentes em vários tipos de câncer, portanto, estão longe de ser um tratamento “universal”.

Também há evidências de que os canabinóides podem ter efeitos indesejáveis. Embora algumas pesquisas indiquem que altas doses de THC possam matar células cancerígenas, elas também prejudicam as células essenciais dos vasos sanguíneos. 

E, em algumas circunstâncias, os canabinóides podem estimular o crescimento das células cancerígenas, dependendo da dose usada e dos níveis de receptores canabinóides presentes em tais células.

As pesquisas seguem sendo desenvolvidas e a comunidade científica tem se dedicado cada vez mais em investigar os potenciais dos canabinóides para o câncer.

(Imagem: reprodução Cancer Therapy Advisor)

A maconha pode prevenir o câncer?

Uma das perguntas mais comuns nos estudos da área é se a maconha pode agir na prevenção do câncer.

Não existe nenhuma evidência que comprove essa relação, mas existem pesquisas que sugerem que os endocanabinóides podem suprimir o crescimento do tumor. 

E em experimentos onde ratos receberam doses muito altas de THC purificado, eles pareciam ter um risco menor de desenvolver câncer. Mas isso não é evidência científica sólida o suficiente para sugerir que os canabinóides ou a cannabis podem reduzir o risco de câncer nas pessoas.

Câncer de mama

A cannabis não é uma cura ou tratamento para o câncer de mama, ou seja, não substitui os tratamentos de quimioterapia ou radioterapia. 

Porém, a comunidade médica tem recomendado o uso de cannabis para controlar os sintomas, os efeitos colaterais do tratamento e outros desafios ao longo da jornada do câncer.

Nesses casos, a maconha pode ajudar no alívio de: 

  • dor (incluindo dores articulares e musculares, desconforto e rigidez)
  • Ansiedade e estresse
  • insônia
  • náusea, vômito e falta de apetite, causados pela quimioterapia
(Imagem: reprodução Common Citizen)

Em 2020, a Breastcancer.org realizou um estudo sobre o uso de maconha com fins medicinais por pacientes com câncer de mama. 

Os resultados mostraram que mais de 42% das entrevistadas faziam uso de cannabis para ajudar com os efeitos colaterais dos tratamentos. 

A maioria das pacientes dentro dessa porcentagem relataram que a maconha era efetiva para reduzir a dor, náusea e ansiedade.

Os dados da pesquisa apontam que: 

  • 78% das pacientes que usaram maconha no protocolo de tratamento relataram ter usado para dor
  • 70% relataram usar maconha para insônia 
  • 57% relataram usar para ansiedade

É importante destacar que para cada caso são indicadas determinadas strains e métodos de uso da planta.

Para alguns casos, strains com mais CBD e menos THC são mais recomendados, para outros, o contrário. 

Para pacientes que sofrem com sintomas como dor ou náusea, um produto que aja rapidamente é melhor, enquanto pacientes que sofrem com insônia podem se beneficiar mais de um produto com efeitos mais duradouros, como os edibles.

Por isso, é fundamental consultar o médico para entender qual método, dosagem e concentrações de canabinóides são mais indicadas para cada caso. 

(Imagem: reprodução Common Citizen)

Cuidando dos efeitos colaterais com maconha

Existem quatro sintomas principais para os quais as pacientes com câncer de mama usam cannabis:

  1. Ansiedade e depressão

O CBD é comumente usado para tratar a ansiedade, enquanto o THC costuma ser eficaz no tratamento da depressão. Pacientes que apresentam ambos os quadros podem se beneficiar de strains que produzem uma mistura equilibrada de ambos os canabinóides.

  1. Dor aguda e crônica

A dor é um sintoma comum nos casos de câncer avançado. É também um efeito colateral de tratamentos, como cirurgias. 

Tradicionalmente, os opióides são prescritos para tratar a dor aguda e crônica, que geralmente acompanha o tratamento do câncer de mama. No entanto, os opióides são altamente viciantes e podem causar efeitos colaterais graves. A maconha, por outro lado, fornece alívio seguro e eficaz da dor para muitas pacientes com câncer de mama.

  1. Náusea e vômito

Pacientes com câncer de mama submetidos a tratamentos como quimioterapia e radioterapia geralmente sofrem de náuseas e vômitos graves após o tratamento. Para muitos desses pacientes, a cannabis proporciona um alívio eficiente. A capacidade da maconha de aliviar náuseas e vômitos é comprovada por pesquisas. 

  1. Insônia

Tanto o tratamento do câncer de mama, quanto os efeitos colaterais citados acima, podem interferir em uma boa noite de sono. Nesse sentido, a cannabis pode ser uma ótima aliada para insônia, algumas strains tem propriedades sedativas, contribuindo para o sono. 

Cuidados

O INCA destaca que além de estarem atentas ao próprio corpo, mulheres de 50 a 69 anos devem fazer mamografia de rastreamento a cada dois anos. Esse exame pode ajudar a identificar o câncer antes de a pessoa ter sintomas.

O Outubro Rosa nasceu como uma campanha para conscientização do câncer de mama. Mais informações sobre auto-exame e sintomas, confira um guia do Instituto Nacional de Câncer.

Fontes: Cancer Research UK e BreastCancer.org

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