Apesar dos vírus representarem uma ameaça para os humanos, uma pesquisa aponta que eles foram fundamentais para a evolução da maconha como a conhecemos hoje. 

O THC e o CBD, compostos químicos da cannabis, ganharam vida graças à antiga colonização do genoma da planta por vírus, descobriram pesquisadores da Universidade de Toronto (Canadá).

O primeiro mapa de cromossomos de cannabis do mundo revela o passado evolucionário da planta e aponta para seu futuro como medicamento em potencial.

Mapa detalhado sobre a maconha

A descoberta é apenas um dos insights revelados pelo mapa do genoma da cannabis, que detalha o arranjo dos genes nos cromossomos, publicado na revista Genome Research

Entre outras revelações a partir do mapa estão:

  • a descoberta de um gene responsável pela produção do canabicromeno (CBC);
  • como são conhecidas as substâncias ativas da cannabis;
  • e novas informações sobre como a potência das strains são determinadas.

“O mapa de cromossomos é um recurso fundamental para pesquisas futuras que, apesar do uso generalizado da cannabis, ficaram para trás de outras culturas devido à legislação restritiva”, diz Tim Hughes, professor co-líder do estudo. 

Os pesquisadores esperam que o mapa acelere os esforços de melhoramento para criar novas linhagens com as propriedades médicas desejadas, bem como variedades que podem ser cultivadas de forma mais sustentável ou com maior resistência a doenças e pragas.

O papel dos vírus na evolução da cannabis

A partir do mapa, os pesquisadores descobriram que os genes da planta são cercadas por faixas de DNA que vieram de vírus que colonizaram o genoma da maconha há milhões de anos. 

Esse DNA viral (ou retroelementos, como é conhecido) fez cópias de si mesmo, que se espalharam pelo genoma da maconha. 

Os pesquisadores acreditam que esse processo levou a cannabis antiga a se dividir em tipos quimicamente distintos

As sequências de genes do THCA e CBDA (que originam o THC e CBD) surgiram do mesmo gene, mas com o tempo e com o DNA viral, as cópias desses genes ficaram embaralhadas, evoluindo separadamente, produzindo o cânhamo e a maconha, por exemplo, que possuem propriedades diferentes, mas são da mesma espécie. 

A partir disso, os humanos também influenciaram no desenvolvimento da planta, selecionando e cruzando a cannabis para obter plantas com compostos químicos desejáveis, como alta concentração de THC ou CBD.

O mais relevante da pesquisa foi a descoberta de que os genes da planta se sapararam por influência viral. Portanto, agora se tem a certeza de que é possível separar esses genes durante a reprodução da planta para cultivar plantas sem THC, por exemplo. 

Por fim, outra revelação importante é que alguns efeitos psicoativos em cepas utilizadas medicinalmente podem ser provenientes do CBC, um canabinóide menos conhecido, que possui propriedades anti-inflamatórias. 

A descoberta do gene responsável pela síntese do CBC possibilitará aos criadores adequar sua concentração em strains a serem desenvolvidas. 

Fonte: Science Daily

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