Há um tempo, a maconha tem sido uma boa aliada no tratamento de pacientes com HIV.

Atualmente, a cannabis ainda é popularmente adotada como um meio de aliviar os sintomas adversos da doença, como dor, náusea, perda de apetite e de peso, e para o emocional dos pacientes. 

Alguns estudos, inclusive, têm sido desenvolvidos para entender os benefícios da maconha em retardar a progressão da doença.

(Imagem: Add Weed | Unsplash)

Sobre o HIV/AIDS

O vírus da imunodeficiência humana (human immunodeficiency virus – HIV) é um retrovírus que invade células do sistema imunológico humano, tornando-o altamente suscetível a doenças infecciosas.

A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA, em português, ou Acquired immunodeficiency syndrome – AIDS, em inglês), por sua vez, é um termo que se aplica aos estágios mais avançados da infecção pelo HIV. 

A AIDS foi uma característica definidora dos primeiros anos da epidemia de HIV, antes que a terapia anti-retroviral (TARV) se tornasse disponível. O acesso à TARV contribui para que o HIV não progrida para a AIDS. 

A progressão é mais provável que ocorra em pessoas que demoram a descobrir que têm HIV (e demoram a ter acesso à TARV).

Portanto, para quem se expôs a uma situação de contágio do HIV, é imprescindível fazer o teste (que pode ser de sangue ou de saliva). Unidades de saúde oferecem o teste ou médicos também podem solicitar, com o consentimento do paciente. Após o resultado do teste, é fundamental que @ mé[email protected] seja consultado para que seja realizado um teste mais específico para confirmar a infecção e para saber a quantidade de vírus circulante no organismo, o que é importante para que seja indicado o melhor tratamento.

A OMS indica que as formas de contágio ocorrem quando o HIV é encontrado em certos fluidos corporais de pessoas que vivem com o vírus, incluindo sangue, sêmen, fluidos vaginais, fluidos retais e leite materno. Dessa, forma, o HIV pode ser transmitido por:

  • sexo vaginal ou anal desprotegido e, em casos muito raros, sexo oral com uma pessoa que vive com HIV;
  • transfusão de sangue de sangue contaminado;
  • compartilhamento de agulhas, seringas, outro equipamento de injeção, equipamento cirúrgico ou outros instrumentos cortantes; e
  • de uma mãe vivendo com HIV para seu filho durante a gravidez, parto ou amamentação.

Se uma pessoa que vive com HIV está em TARV, o que efetivamente suprime o HIV no corpo, sua chance de transmitir o HIV a outra pessoa é bastante reduzida.

Como mencionado, o tratamento atual se dá através da TARV, que envolve medicamentos anti-retrovirais, os quais atuam impendido a replicação do vírus.

A terapia anti-retroviral pode reduzir o nível do vírus a níveis tão baixos no corpo que o sistema imunológico funcionará normalmente, proporcionando condições de saúde normais. 

No caso da AIDS, o sistema imunológico e a saúde ficam bem mais debilitados, alguns efeitos adversos costumam aparecer, como dor, náusea, perda de peso, depressão e complicações da saúde, que são reflexo do sistema imune enfraquecido. 

Nesse sentido, a maconha tem sido uma boa aliada para aliviar esses sintomas. 

Cannabis e HIV

Na década de 1980, a OMS declarou que o vírus como epidêmico, devido ao alto número de contágios. 

Segundo a UNAIDS, aproximadamente 76 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia.

Hoje, há aproximadamente 38 milhões de pessoas vivendo com HIV e dezenas de milhões de pessoas morreram de causas relacionadas à AIDS desde o início da epidemia. 

Os medicamentos para o HIV, disponibilizados no início da década de 1980, apresentavam efeitos colaterais graves e, às vezes, debilitantes.

A perda de apetite e de peso, além de dores, eram os sintomas mais comuns dos pacientes, que além de sofrer com a doença, também sofriam com o estigma associado ao HIV (principalmente devido às formas de contágio). 

Nesse cenário, na década de 1980, Mary Rathbun, voluntária de um hospital de São Francisco, Califórnia, entrou em cena com seus brownies de maconha para ajudar pacientes com AIDS.

Vendo o sofrimento dos pacientes, ”Brownie Mary”, como ficou conhecida, passou a oferecer brownies canábicos para tais pacientes. 

Eles diziam que os brownies ajudavam com as dores e a melhorar o apetite (bem como a perda de peso). Mary também ouviu que seus brownies ofereciam alívio para pacientes com câncer submetidos a tratamentos de quimioterapia.

(Imagem: reprodução Hypeness)

Com isso, a comunidade médica, que na época tinham poucas opções de tratamento, presumiu que as propriedades da maconha poderiam beneficiar os pacientes.

Como as leis de meados dos anos 80 ao início dos 90 proibiam o uso de maconha em ambientes clínicos, os médicos começaram a prescrever o medicamento Marinol (dronabinol), que contém uma forma sintética de tetrahidrocanabinol (THC).

Enquanto o Marinol provou ter sucesso em aliviar muitos dos sintomas, muitos ainda preferiam brownies ou fumar maconha. 

Porém, nessa época, a Guerra às Drogas condenava veementemente a maconha. 

Nesse contexto, Mary, junto com o ativista Dennis Peron, começou a lutar pelo direito ao acesso da maconha para pacientes que sentiam alívio para suas condições.

Em 1991, Rathbun e Peron uniram forças para aprovar uma medida que tornaria a maconha para fins medicinais disponível em San Francisco e proteger os médicos de penalidades por prescrevê-la. A medida ficou conhecida como Propostion P e foi aprovada com quase 80% de apoio. 

Cinco anos depois, em 1996, foi aprovada a Proposition 215, tornando a Califórnia o primeiro estado norte-americano a legalizar a maconha para fins medicinais. 

A aprovação desse projeto de lei histórico abriu um precedente, e Washington, Oregon e Alasca logo seguiram com a legalização da maconha para uso medicinal. 

O ativismo de Rathbun e Peron chamou a atenção da comunidade médica, que começou a pesquisar os efeitos da cannabis no sistema imune de pacientes com AIDS.

Em 2003, um estudo relevante foi publicado, esclarecendo os benefícios terapêuticos da erva para pacientes com HIV/AIDS.

Estudos científicos sobre os benefícios da maconha para pacientes com HIV

A partir desse estudo, novas pesquisas foram realizadas com o objetivo de entender todos os benefícios da maconha para pacientes com HIV.

Alguns estudos indicam que o uso de cannabis pode aumentar a função imunológica em alguns pacientes com HIV.

Um estudo de 2018, realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, com 198 pacientes com HIV, relatou: “o trabalho sugere que os canabinoides podem ter um benefício imunológico no contexto da infecção por HIV, pois a redução da frequência de células T ativadas pode limitar o risco de desenvolvimento de comorbidades não associadas à AIDS”. 

Um outro estudo longitudinal, de 2020, apontou que pacientes co-infetados com HIV / hepatite C com histórico de uso de cannabis possuem um risco de mortalidade reduzido em comparação com os não usuários. 

Pesquisas também comprovaram que a maconha tem benefícios médicos claros em pacientes soropositivos, aumentando a ingestão de alimentos, melhorando o humor, e as medidas objetivas e subjetivas do sono. 

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, relataram descobertas sobre os benefícios da maconha para a dor. Escrevendo na revista Neuropsychopharmacology, eles concluíram: “A Cannabis reduziu significativamente a intensidade da dor neuropática na polineuropatia associada ao HIV em comparação com o placebo, quando adicionado a analgésicos concomitantes estáveis. Perturbação do humor, debilidade física e qualidade de vida melhoraram significativamente durante o tratamento do estudo. Nossos resultados sugerem que a terapia com canabinoides pode ser uma opção eficaz para o alívio da dor em pacientes com dor intratável do ponto de vista médico devido ao HIV”. 

(Imagem: Ryan Lange | Unsplash)

Estudos adicionais estão em andamento, mas já se tem um entendimento que a medicina canabinóide pode fornecer uma intervenção benéfica para pacientes com HIV/AIDS.

Fontes: OMS e NORML

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