A maconha que dá origem ao prensado é, na verdade, uma erva de boa qualidade cultivada há milhares de anos no Paraguai.

(Imagem: reprodução Weednews)

Não existe uma versão oficial confirmada sobre a chegada da cannabis no Paraguai. 

Analisando a genética que dá origem ao prensado, a maconha paraguaia parece ser descendente de Sativas colombianas e brasileiras, introduzidas por escravos africanos. Existe também a possibilidade da maconha paraguaia ter se originado do cânhamo que, cultivado no clima tropical, tornou-se uma variedade psicoativa, com flores.

Durante a colonização do Paraguai, existem relatos históricos do uso medicinal da maconha por médicos europeus. 

Mas foi apenas depois de um século, aproximadamente, que a tradição da maconha prensada teve início. 

Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai, o cultivo da maconha para exportação ao mercado ilícito teve início na década de 1960 e se consolidou nos vinte anos seguintes. 

Mas a planta já estava presente no país há muito tempo antes de começar a ser prensada e exportada para o Brasil e a Argentina, principalmente.

Na década de 1970, cerca de 60 toneladas de prensado eram destinadas ao Brasil anualmente.

(Imagem: reprodução International Highlife)

A origem

As maiores áreas de cultivo clandestino de maconha paraguaia se encontram nos departamentos de San Pedro e Amambay, onde está localizada a cidade de Pedro Juan Caballero, quase um selo de origem da cannabis guarani.

Esses dois departamentos concentram uma grande quantidade de mão de obra composta por famílias de origem rural que recorrem ao cultivo de maconha para conseguir lucros mais elevados, em comparação com culturas agrícolas legais, como a mandioca ou a erva-mate.

As plantações, escondidas em áreas remotas de selva e floresta (em campos privados ou em terras públicas), funcionam de forma precária: a maconha é plantada, colhida, prensada e distribuída para a rede de vendas. 

Se necessário, a área de produção é alterada em horas.

As prensas são feitas em minutos, usando troncos de árvores e macacos hidráulicos. A colheita é seca ao sol, o que degrada muitos compostos ativos. 

Às vezes, a secagem mal é feita. Tanto as plantas macho quanto as fêmeas são introduzidas na prensa, sem manicure.

O resultado são os tijolos bem conhecidos. A matéria vegetal é geralmente acastanhada com um odor de amônia e sabor indistinguível.

Como bônus, pode conter fungos, sementes, insetos, pequenos galhos e uma quantidade excessiva de folhas.

Tudo isso para aumentar o rendimento dos tijolos de prensado, para tornar mais fácil o transporte ilegal pela fronteira e por descuido no processo de produção ilegal. 

Ou seja, a maconha prensada que costumamos fumar no Brasil é uma consequência direta da proibição. 

(Imagem: reprodução The Guardian)

O prensado já foi flor um dia

O Paraguai foi pioneiro em cultivar maconha para vender em larga escala para outros mercados. 

Colômbia também, fornecendo a famosa strain Colombian Gold para diversos países da região. 

A verdade é que esses países resolveram desafiar o proibicionismo e fornecer um produto cuja demanda apenas aumentava.

No auge da guerra às drogas, era comum o fornecimento parar por alguns períodos. Com isso, brasileiros e argentinos começaram a pegar as sementes do prensado e cultivar em solo nacional para consumo próprio. 

Iniciou-se a cultura do auto-cultivo (também ilegal). 

Ou seja, as sementes do prensado deram origem a muitos cultivos de flores no Brasil. 

Dos horríveis blocos marrons de maconha prensada cresciam boas plantas sativas. 

Adaptadas a gerações e gerações de cultivo ao ar livre e diretamente no solo, as sativas paraguaias se adaptaram facilmente a outros países sul-americanos, capazes de crescer bastante, com lindos buds de maconha.

Instável e, em muitos casos, sujeita ao hermafroditismo (que, afinal, é uma qualidade eficiente de adaptação e sobrevivência), as sativas paraguaias geralmente tinham um aroma levemente cítrico e um sabor amadeirado com tons frutados.

Não se trata de uma variedade com um trabalho de seleção profundo e metódico, mas sim algo semelhante a uma raça tradicional (landrace) explorada pelo mercado ilícito gerado pela proibição.

Mesmo assim, a maconha paraguaia criou um fenômeno que lançou as bases para a cultura canábica de hoje em países sul-americanos, como o Brasil. 

Algumas variedades originadas das sementes do prensado tornaram-se plantas de qualidade. 

(Imagem: reprodução Conesul News)

Esperamos que com a legalização, a maconha paraguaia possa florescer na sua melhor versão, sem a necessidade de ser prensada e que chegue – livremente – a diversas partes do mundo. 

Apesar de já existirem milhares de strains aperfeiçoadas, não podemos deixar de agradecer essa variedade nativa, que tanto salvou (e ainda salva) milhares de canabistas.

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Fonte: Revista THC

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