Já faz 7 anos que faço parte do mercado da cannabis e tudo tem mudado muito rápido. Um dos mercados que mais acompanhei é o brasileiro e desde sempre percebi uma falta de organização e uma ”tribalização” que existe nesse mercado.

Quando comecei o Who is Happy, o Brasil tinha pequenas lojas, como tabacarias, head shops, growshops e apenas algumas marcas no mercado auxiliar produzindo sedas, piteiras e vidros (bongs e pipes, por exemplo).

Depois da realização do festival Ganja Talks em 2016 e 2017, observei uma grande mudança no mercado. Percebi que o evento reuniu diversas frentes, que muitas vezes não estavam conectadas, e proporcionou uma maior conexão entre o público consumidor e as marcas.

Sempre foi muito difícil fazer um festival acontecer no Brasil, principalmente devido a esse mercado tribalizado que se desenvolveu no país, no qual existem diversas comunidades canábicas, que estão separadas e, em muitos momentos, estão prejudicando o trabalho uma das outras. O embate muitas vezes se dá com uma possível discordância política sobre como levar a legalização.

Quem sempre esteve na luta pela legalização da cannabis no Brasil são ativistas e determinados grupos políticos, que buscam levar para frente o debate da legalização dentro das esferas governamentais, com suporte de acadêmicos e comunicólogos para ampliar a discussão no país, informar e desestigmatizar a planta.

Com uma maior normalização da cannabis, crescente aceitação e, sobretudo, com a Corrida Verde que está acontecendo, começamos a observar o interesse de empreendedores no mercado canábico, o que tirou o foco do discurso político sobre a legalização e passou a ser pautado por esses empreendedores, buscando uma legalização ativa para o desenvolvimento de um mercado regulado. 

Hoje, estamos vendo novos profissionais entrando no mercado verde brasileiro, e muitas vezes com visões que não são compartilhadas com quem sempre esteve na luta pela legalização. 

Estamos em busca de um mercado mais humano, que respeite as diferenças, raciais, culturais e sociais. Precisamos garantir que estamos construindo um novo caminho e que não seja apenas uma reprodução de interesses econômicos de outros mercados. 

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