Fumar maconha todos os dias é algo comum para muitas pessoas. A ciência mostra que essa prática pode trazer tanto efeitos positivos, como também negativos.

(Imagem: Thought Catalog | Unsplash)

Qualidade de vida

Um estudo recente, realizado por pesquisadores brasileiros e publicado no Journal of Psychiatric Research, avaliou os impactos do consumo diário de maconha, entrevistando 7.405 pessoas.

Destas, cerca de 89% afirmaram ser consumidoras de cannabis e 11% não consumiam.

A partir do grupo de ”canabistas” (os 89%), os pesquisadores os dividiram em grupos menores, como usuários habituais, usuários ocasionais e usuários problemáticos. 

Cerca de 64% dos participantes afirmaram ser usuários habituais, 17% usuários ocasionais e 8% consideraram ter algum problema com maconha.

Esses participantes responderam a uma pesquisa que avaliou bem-estar, níveis de ansiedade e pontuação de depressão. 

(Imagem: reprodução World Scholarship Forum)

De acordo com o estudo:

”As maiores pontuações de qualidade de vida foram observados entre os usuários habituais de maconha, seguidos pelos usuários ocasionais, enquanto tanto os não usuários quanto os usuários disfuncionais apresentaram pontuações menos favoráveis. 

As medidas subjetivas de bem-estar foram maiores entre os usuários habituais e ocasionais do que entre os não usuários, enquanto os usuários disfuncionais foram os mais afetados. 

Má qualidade de vida, depressão ou ansiedade foram mais prevalentes entre os usuários disfuncionais, mas os não usuários de cannabis relataram mais sintomas de depressão ou ansiedade e menos qualidade de vida do que os usuários ocasionais e habituais. 

Os resultados obtidos neste estudo são particularmente relevantes porque se referem a uma amostra composta predominantemente por consumidores habituais de cannabis da população geral, grupo pouco representado em outros inquéritos. O fato de o uso de cannabis estar geralmente associado ao aumento do risco de desfechos adversos à saúde não foi observado neste estudo”. 

Em outras palavras, o estudo concluiu que as pessoas que fumavam maconha regularmente tinham pontuações de qualidade de vida mais altas do que aquelas que não fumavam. 

Esta é uma descoberta interessante, especialmente porque se diz que o uso de cannabis diminui a qualidade de vida – ou pelo menos esse é um dos argumentos a favor da proibição por bastante tempo. No entanto, o que este estudo mostra é que o usuário habitual (e não problemático) parece ver a vida de uma forma mais favorável do que aqueles que não consomem.

(Imagem: Grav | Unsplash)

Isso significa que sua qualidade de vida aumentará de forma automática se você fumar maconha? 

Não necessariamente. A maioria das pessoas que consomem a erva o fazem de forma medicinal ou recreativa, portanto, pode-se dizer que a maconha as ajuda a alcançar estados de bem-estar. 

A atribuição de felicidade e qualidade de vida depende de outros fatores também, mas as evidências do estudo mostram que – ao contrário do que se defendeu há muito tempo – consumidores habituais não têm uma qualidade de vida baixa, refutando o senso comum. 

Menos stress, mais bem-estar

Uma boa explicação para o fato de consumidores habituais de maconha terem uma percepção maior de qualidade de vida pode ser explicado pelo fato da cannabis ter propriedades anti-stress e anti-ansiedade. 

Um observação: em alguns casos específicos (para quem sofre com crises de ansiedade ou com outras questões psicológicas), o THC pode piorar o quadro. Portanto, existem exceções ao afirmar que a maconha reduz o stress e a ansiedade. Para muitas pessoas sim, para outras não. 

Outro fato é que consumidores habituais de maconha tendem a ter uma rotina de consumo, isto é, eles conhecem os efeitos da erva sobre seu corpo, entendem qual a melhor quantidade e os melhores horários. 

Dessa forma, de fato, a maconha pode ser uma ótima aliada para proporcionar felicidade, bem-estar e qualidade de vida. 

(Imagem: Jeff W | Unsplash)

Ponto de atenção

Pode existir uma linha tênue entre uso problemático e uso habitual. 

O uso problemático se dá quando a prática de consumir maconha frequentemente passa a afetar as atividades cotidianas, como trabalhar, se relacionar com as pessoas, viver socialmente, cumprir as responsabilidades.

Um outro estudo realizado pelo Institute Universitiaire En Santé Mentale De Montréal (Canadá) e publicado na Revista Addiction afirma que o uso ”pesado” de maconha (heavy use) pode ocasionar problemas cognitivos, afetando:

  • tomada de decisão;
  • memória e concentração;
  • supressão de respostas inadequadas;
  • aprendizagem através da leitura e audição;
  • o tempo necessário para terminar uma tarefa mental.

De acordo com o estudo, esses efeitos adversos do consumo ”pesado” de cannabis começam enquanto está sendo consumida e persistem depois.

Os pesquisadores ainda complementam: ”O uso de cannabis na juventude pode, consequentemente, levar à redução do nível educacional e, em adultos, ao baixo desempenho no trabalho e direção perigosa. Essas consequências podem ser piores em usuários regulares e pesados”.

O estudo é importante porque adolescentes e jovens adultos são os grupos que mais consomem a erva. Portanto, os pesquisadores enfatizam a importância de compreender os riscos cognitivos associados ao uso de maconha, especialmente para adolescentes cujos cérebros estão passando por mudanças significativas no desenvolvimento.

(Imagem: Elsa Olofsson | Unsplash)

Você consome maconha diariamente? É positivo para sua qualidade de vida?

Fonte: The Fresh Toast

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