Terapias com substâncias psicodélicas são a nova aposta da psiquiatria e têm se mostrado promissoras para melhorar a saúde mental.

(Imagem: reprodução Leafly)

Novas descobertas científicas sobre o que os psicodélicos fazem dentro do cérebro humano para ajudar a tratar a depressão, o Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT), a dependência química, distúrbios alimentares e ansiedade, para citar apenas alguns potenciais, estão se desenvolvendo cada vez mais, à medida que os psicodélicos se movem para o mainstream da medicina.

Pesquisadores estão descobrindo que ”viagens psicodélicas” podem ser extremamente promissoras para melhorar a saúde mental.

Organizações e universidades de alto nível estão usando ferramentas avançadas, como ressonância magnética funcional (fMRI) e outros dispositivos para descobrir como e por que os psicodélicos podem representar uma revolução nos tratamentos psicológicos.

Isso significa que um número crescente de pessoas têm a oportunidade de embarcar em uma experiência psicodélica segura e guiada, para criar conexões, melhorar a saúde mental e aumentar a qualidade de vida.

O melhor é que muitos pacientes que costumavam fazer tratamentos com medicamentos controlados para questões psicológicas – muitas vezes com efeitos colaterais indesejados ou sem um retorno do tratamento – agora têm uma alternativa psicodélica que promete ser muito mais eficaz do que os medicamentos convencionais.

Existe toda uma classe de substâncias psicodélicas sendo estudadas na área medicinal, mais especificamente na psiquiatria, mas aqui listamos as 5 principais, cujas pesquisas científicas estão mais avançadas e, com isso, se mostram mais promissores para a saúde mental:

1. Psilocibina

A psilocibina é um dos psicodélicos mais conhecidos, mais disponíveis e mais fáceis de usar atualmente. Essa substância é encontrada nos ”cogumelos mágicos”, os psilocybe cubensis.

No Brasil, a psilocibina em si (apenas a substância psicodélica) é ilegal, mas o cultivo, compra e venda do cogumelo cubensis, não.

A psilocibina está atualmente sendo estudada como tratamento para depressão maior, dependência química, depressão, distúrbios alimentares, como anorexia, Alzheimer e muito mais.

Os cogumelos costumam ser comidos depois de secos, usados ​​em chá ou consumidos em forma de cápsula.

Dependendo da dosagem tomada, os efeitos psicodélicos podem incluir uma sensação de euforia, com alguns aprimoramentos visuais e auditivos, que podem levar algum tempo para se acostumar.

Os efeitos geralmente começam em uma hora, atingem o pico em algumas horas e desaparecem após cerca de 6 a 10 horas.

2. DMT

O DMT é um dos psicodélicos menos compreendidos atualmente, por isso, a comunidade científica tem se dedicado cada vez mais a compreender seus potenciais.

A maioria das pessoas usa o DMT para exploração espiritual e relata experiências do tipo místico de moderadas a fortes. O efeito foi comparado a tomar 1.500 microgramas de LSD.

Os resultados de um estudo clínico mostraram que a maioria das pessoas que consumiram DMT experimentaram melhorias relacionadas:

  • ao transtorno de estresse pós-traumático (79%)
  • depressão (77%)
  • ansiedade (69%)
  • alcoolismo (66%)
  • transtorno por uso de drogas (60%)

O DMT é encontrado em diversas plantas, sendo o princípio ativo da ayahuasca, na secreção das glândulas do sapo-do-rio-colorado, (também conhecido como Bufo alvarius ou Incilius alvarius) e é sintetizada pelo próprio corpo humano.

3. LSD

O Ácido Lisérgico (LSD) é um dos psicodélicos mais conhecidos e que está há mais tempo sendo estudado.

É feito a partir do fungo que cresce no centeio e outros grãos. Alguns pesquisadores argumentam que todo o campo da neurociência da serotonina, e especialmente o papel da serotonina na função cerebral, foi impulsionado pela descoberta do LSD.

O ácido lisérgico foi descoberto em 1936, sintetizado a partir de um fungo por Albert Hofmann, cientista suíço que trabalhava para uma indústria farmacêutica. Hoffmann tinha como objetivo sintetizar um estimulante circulatório e respiratório, mas depois de ter vivenciado uma experiência psicodélica com o LSD, seus usos foram expandidos.

Esse psicodélico foi usado experimentalmente na psiquiatria por anos, até ter seus usos barrados pelo proibicionismo, o que fez que muitos pesquisadores tivessem que abandonar suas pesquisas com essa substância.

A dose mínima de LSD é de 25 microgramas, enquanto a dose “ótima” é de 100-200 microgramas, de acordo com uma revisão farmacológica de 2008.

O LSD produzi uma alteração pronunciada na consciência, incluindo alucinações visuais e auditivas.

O LSD pode aumentar o bem-estar subjetivo, a felicidade, a proximidade com os outros, a abertura e a confiança. O ácido aumenta significativamente a pressão arterial, a frequência cardíaca, a temperatura corporal e, mais notavelmente, o tamanho da pupila. Dependendo de quantos microgramas são tomados, os efeitos do LSD podem durar até 72 horas.

(Imagem: reprodução Exame)

4. Ibogaína

A ibogaína demonstrou eficácia no tratamento de dependência de química e para melhorar os sintomas causados pela abstinência de opióides.

Essa substância é encontrada na raiz da planta africana Iboga, e é considerado um ”psicodélico atípico”, que age sobre múltiplos alvos do nosso cérebro, como por exemplo, nos receptores opióides, glutamatérgicos e colinérgicos.

A dosagem de ibogaína deve ser cuidadosamente considerada e administrada sob supervisão médica. Para evitar complicações potencialmente fatais, as recomendações de dosagem inicial devem ser calculadas em 0,87 mg por kg de peso corporal, de acordo com pesquisadores da Nova Zelândia.

Após a ingestão oral, a ibogaína alcança seu pico por 4-8 horas, produzindo “sonhos acordados”, com conteúdo visionário que é profundamente subjetivo e pessoal, então se estabelece em uma fase menos aguda de “tripping” por 8-20 horas. Toda a experiência pode durar até três dias. A experiência tem sido comparada a assistir a um filme projetado em uma tela interna.

O efeito geral pode evocar um estado de profunda contemplação e autorreflexão. No entanto, a ibogaína também pode desencadear efeitos colaterais importantes, incluindo tremores, náuseas, vômitos, respiração lenta, sensibilidade aumentada a estímulos sensoriais, palpitações cardíacas, hipertensão e outras alterações nos ritmos cardíacos ou na pressão arterial. Por isso, o ideal é que seja administrada por um profissional da área da saúde.

5. Cetamina

A cetamina, ou ketamina, tem sido amplamente estudada para tratar a depressão.

Pesquisadores apontam que a cetamina alivia os sintomas da depressão por um período que pode durar dias ou semanas, se mostrando mais eficaz do que os tratamentos convencionais.

Essa substância atua em diferentes partes do cérebro ao mesmo tempo, e existem várias teorias sobre sua atuação contra a depressão, mas a maioria se concentra em seus efeitos em certos receptores no cérebro e no neurotransmissor glutamato.

Um dos primeiros médicos a administrar cetamina para tratar depressão, Phil Wolfson, na década de 1990, defende que o potencial da cetamina está na maneira como ela oferece uma breve experiência do vazio, ao contrário da ayahuasca ou dos cogumelos, que muitas vezes produzem visões que se fundem em narrativas.

Como o médico afirma ao The New Yorker: “Não está ligado a experiências subjetivas – os temas não ocorrem ou, se ocorrerem, podem não ser de natureza particularmente psicológica. Não fui transformado pela neuroplasticidade; fui transformado por ter feito uma pausa nas obsessões da minha mente.”

Os melhores resultados de uso de cetamina como terapia assistida se deram com pacientes que sofrem com depressão crônica e resistente a outros tratamentos.

Psicodelia como terapia

Como mencionado, o uso dessas substâncias psicodélicas para melhorar a saúde mental deve ser feito com acompanhamento médico.

Sabemos que muitas pessoas utilizam tais substâncias de maneira recreativa, mas para quem busca um tratamento para questões psiquiátricas e psicológicas através dessas substâncias, é imprescindível que haja um profissional da área para administrar as substâncias e realizar a terapia.

Fontes: The New Yorker e The Bluntness

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