Meditar sob efeito da cannabis é uma prática antiga, que pode ser ótima para alguns e ruim para outros. Entenda o que a ciência diz sobre isso.

(Imagem: Emilie Lmt | Unsplash)

Há uma longa história do uso da cannabis para meditação, rituais espirituais e cura que remonta a milhares de anos.

Em algumas seitas hindus na Índia e no Nepal, homens sagrados consomem cannabis para ajudar na meditação, sem contar que, de maneira geral, a erva está ligada a diversos rituais em países do Oriente.

O uso de cannabis também era um aspecto importante da prática para alguns budistas tântricos no Tibete e na região do Himalaia, que usavam cannabis como parte de rituais meditativos para facilitar a prática e aumentar a consciência de todos os aspectos de suas cerimônias.

Hoje, esta tradição continua, e se espalhou para outras áreas. No mundo ocidental contemporâneo, tanto a meditação quanto a cannabis se tornaram populares.

Ajuda ou atrapalha?

Há uma série de retiros, livros, serviços e professores destinados a usar maconha para ajudar a aumentar o processo meditativo.

Porém, existem opiniões opostas sobre o uso da ganja para a meditação.

Há quem defenda essa combinação, apontando para a história de seu uso para a meditação e afirmando que a cannabis proporciona mais consciência e calma. Inclusive, para algumas pessoas, foi a maconha que tornou a jornada meditativa possível.

Por outro lado, há quem desencoraja o uso da erva para meditação, afirmando que isso tira a capacidade de se concentrar, dispersa a mente e dissocia você da sua experiência real.

Existe também o argumento de que o uso regular de maconha para meditação possa deixar a pessoa dependente de uma ilusão de relaxamento e calma criada pela cannabis – em vez de ajudá-la a construir resiliência à realidade do mundo e praticar, de verdade, a meditação.

A questão é controversa entre especialistas em meditação, mas talvez a melhor resposta seja que ela pode fazer as duas coisas: ser benéfica para alguns e não para outros.

(Imagem: Shashi Chaturvedula | Unsplash)

Cannabis como aliada

As práticas de meditação e atenção plena são realizadas por muitas razões diferentes, mas muitos usam para melhorar a saúde e reduzir o estresse.

De fato, a ciência mostra que a meditação pode ser uma grande ajuda nesse sentido, reduzindo a dor, a ansiedade, a depressão e a insônia, e fortalecendo o sistema imunológico.

Apesar dos benefícios da prática, para alguns, a meditação pode ser difícil de começar.

Para aqueles que têm dificuldade em meditar, a maconha pode ser particularmente útil, pois pode ajudar a criar um espaço mental mais consciente, ao relaxar e acalmar a resposta ansiosa à meditação e permitindo que haja um aprofundamento na prática.

A ciência sustenta esse ponto, porque a maconha é capaz de reduzir as reações de estresse, diminuindo tanto a sensação de ansiedade quanto seus marcadores químicos, como o cortisol. Para quem acha a meditação difícil, estressante ou causa de ansiedade, a maconha pode ajudar ao facilitar a prática.

A cannabis também pode ajudar pessoas com dor crônica a meditar. Como a erva diminui a dor crônica, ela pode ajudar a eliminar um grande obstáculo à prática e tornar mais confortável a meditação, permitindo a concentração em outros aspectos da experiência meditativa, que não seja a dor.

Existem, ainda, relatos que a cannabis expande a consciência, ajudando na meditação; que a maconha pode ajudar as pessoas a serem mais gentis e compassivas consigo mesmas e com outras. Alguns acham que a ganja também melhora a criatividade ou a percepção durante a meditação.

Estas são as razões pelas quais as pessoas usam a maconha para meditação. Mas pode não funcionar bem para todos.

(Imagem: Ricko Pan | Unsplash)

Pontos negativos

Como mencionado, há quem diga que a maconha deve ser evitada na prática da meditação, principalmente porque, para algumas pessoas, a cannabis tornou a experiência de meditação mais difícil, dispersando a mente, reduzindo o foco e impactando negativamente o equilíbrio emocional.

Por outro lado, praticantes de meditação há bastante tempo dizem que a maconha pode causar uma dissociação da experiência real.

Essas experiências também se alinham com o conhecimento científico, pelo fato da erva ser conhecida por sua capacidade de induzir sensações eufóricas e, às vezes, causar problemas de foco, memória e humor.

(Imagem: reprodução The Independent)

Tudo se explica pelo sistema endocanabinóide

Essas diferentes influências da cannabis na meditação se explicam, sobretudo, pelo fato da erva agir de maneira diferente em cada pessoa.

Alguns especialistas afirmam que quando o sistema endocanabinóide está equilibrado e funcionando bem, adicionar maconha à equação pode causar desequilíbrios, que podem levar a efeitos como aumento da ansiedade e depressão, falta de foco ou euforia excessiva. Isso não é uma regra, mas um conhecimento geral sobre o funcionamento desse sistema.

Nesses casos, meditar (ou realizar qualquer tarefa) sob efeito de maconha, pode ser negativo.

Por outro lado, é normal acontecer um desequilíbrio nesse sistema, o que pode ocasionar aumento da ansiedade, depressão, dor ou problemas de foco. Nestes casos, adicionar a cannabis, às vezes, pode ajudar, reduzindo esses problemas. Mais uma vez: cada caso é um caso, isso não é uma regra.

Portanto, devido aos efeitos diversos da maconha, que variam de pessoa para pessoa, a maconha pode ser uma excelente aliada para alguns na meditação – particularmente para aqueles com condições que causam estresse adicional, depressão, dor ou problemas de foco.

Mas para outros, particularmente aqueles que são saudáveis ​​e acham a meditação gerenciável por conta própria, a cannabis pode não ser uma boa pedida na prática.

O fundamental é entender como a erva influência sua experiência meditativa pessoal. Em suma, faça o que considera mais positivo para você.

Fonte: The Cannigma

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