O cânhamo é das plantas mais versáteis que existem na natureza, com inúmeros usos e benefícios.

Desde que se tem registro da civilização humana, a planta Cannabis Sativa L. (que também dá origem ao cânhamo) tem sido usado para diversas finalidades. Descubra os 6 usos principais do hemp ao longo da história.

hemp biofuel

Cânhamo é diferente de cannabis?

É comum vermos uma diferenciação entre cânhamo e maconha, mas na verdade o cânhamo é a planta Cannabis Sativa L. (a cannabis, erva, ganja, maconha…) cultivada de forma a ter baixa concentração de THC (menos de 0,3%) e para aproveitamento das fibras da planta.

Ou seja, é a mesma planta, mas é um ”tipo” de cannabis com outras propriedades, que pode ser melhor aproveitada para finalidades industriais e medicinais, por exemplo.

Os demais canabinóides, como o CBD, estão presentes no cânhamo também. É, principalmente, a concentração de THC que muda.

Cânhamo na história

Existem registros do uso da cannabis desde 10 mil anos atrás, para finalidades diversas: medicina, fabricação de cordas, roupas, papel, alimentação, até mesmo como pagamento de tributos.

Com a proibição, todo o potencial da planta foi deixado de lado. Mas, atualmente, a atenção tem se voltado de novo para os benefícios da Cannabis Sativa L.

O cânhamo é muito conhecido por sua fibra, altamente resistente e uma alternativa superior a diversas outras matérias-primas tradicionais.

Além disso, por conta da guerra às drogas e a estigmatização do uso recreativo da maconha – diretamente ligado às propriedades psicoativas proporcionadas pelo THC – o cânhamo ganhou proeminência e passou a ser melhor aceito nos últimos anos exatamente por (quase) não conter o tetrahidrocanabinol.

Seus usos ancestrais têm sido recuperados e a ”indústria do cânhamo” já apresenta um potencial gigante.

Conheça seus principais usos históricos, que estão voltando à tona:

1. Tecidos

O cânhamo foi, provavelmente, a primeira planta cultivada para fibra têxtil.

Os povos antigos aprenderam que os fios torcidos de fibra de cânhamo eram mais fortes que os fios individuais. Os chineses aperfeiçoaram a arte de fiar fibras em tecidos. Essa inovação acabou com a necessidade de peles de animais como roupas.

Não é surpresa saber que os chineses escolheram o cânhamo como material para fazer roupas. O texto chinês “Livro dos Ritos” (século II aC) dizia que os enlutados devem usar roupas feitas de tecido de cânhamo por respeito aos mortos.

Pela resistência da sua fibra, os chineses também o usavam para fabricar sapatos.

Não é difícil entender por que as culturas antigas usavam fibras de cânhamo para fazer roupas. É leve, absorvente e barato. Além disso, o cânhamo possui três vezes a resistência à tração do algodão.

A indústria da moda atual, inclusive, tem apostado no cânhamo como alternativa ecológica.

2. Cordas

Existem evidências que mostram o uso de cânhamo para fazer cordas há, pelo menos, 29 mil anos.

Há quem diga que embarcações vikings já usavam cordas de cânhamo.

Alguns registros mostram que o cânhamo chegou no Brasil através das cordas das embarcações portuguesas.

Hoje, descobriu-se que cordas de cânhamo podem apodrecer por dentro em contato com a água do mar. Portanto, não é tão comum a produção de cordas com sua fibra atualmente.

Mesmo assim, a resistência da fibra em outras aplicações industriais têm sido muito aproveitada.

3. Alimento

As civilizações antigas podem não ter tido conhecimento de todo o valor nutricional do cânhamo, mas perceberam que a planta e suas sementes (cruas, cozidas ou moídas em pó) eram uma fonte de alimento.

Na China, uma das civilizações mais antigas do mundo, o cânhamo era amplamente cultivado e como cultura alimentícia, ficava apenas atrás do arroz, painço, legumes e pomares em ordem de importância.

Durante toda a história, existem registros do consumo do cânhamo na alimentação.

Atualmente, os benefícios nutricionais dessa planta foram estudados e já são destaque na indústria de alimentos – principalmente na área plant-based, já que as hemp seeds são ótimas para produção de leite e proteína vegetal.

4. Papel

Mais uma vez, os chineses são responsáveis por uma inovação (importantíssima) com o cânhamo: o papel.

Foram usadas fibras da planta e casca de amoreira na invenção. Os chineses esconderam o segredo da fabricação por séculos, mas logo a inovação se espalhou e, ao longo da história, os humanos usaram papel de cânhamo para fins históricos.

Por exemplo, a Bíblia de Gutenberg e os rascunhos da Declaração de Independência foram escritos em papel feito de cânhamo.

Já em 1916, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos concluiu que era uma opção melhor do que a madeira.

Além de produzir mais fibras por hectare do que árvores, uma plantação de cânhamo cresce em questão de meses. Como resultado, nos beneficiamos de 2-3 colheitas por ano, em vez de esperar anos para que as árvores cresçam.

Talvez os impactos negativos do desmatamento possam trazer de volta o uso do cânhamo como fonte de papel.

5. Cerimônias religiosas

Em várias religiões existem registros dos usos ritualísticos da cannabis.

Por exemplo, no taoísmo, existia uma deusa chamada ”Magu”, que em tradução do chinês (China é o berço do taoísmo) significa ”Miss Hemp”, também conhecida como deusa do cânhamo.

Magu utilizava o cânhamo para curar pessoas e defendia que a cannabis era o elixir da vida. 

Registros taoístas documentam o consumo de sementes de cânhamo como proteção contra possessão demoníaca, e as sementes eram queimadas em rituais de purificação. Também é relatado o uso de cannabis em queimadores de incenso, para alterar a mente nos rituais taoístas.

O bhang também é uma bebida sagrada na cultura indiana feita com cânhamo. A bebida, que ainda leva especiarias e leite no preparo, era uma parte fundamental das ocasiões sociais e religiosas da Índia antiga.

Os povos antigos acreditavam que sem bhang em festividades como cerimônias de casamento, espíritos malignos viriam para o casal feliz e arruinariam suas vidas!

Além disso, ainda no século V a.C., o historiador grego Heródoto escreveu sobre os ritos funerários com uso da cannabis e das sementes do cânhamo.

Em algumas tradições ritualísticas, a cannabis é utilizada até hoje, como no Rastafarianismo.

6. Construção

Um dos usos mais interessantes do cânhamo é como material de construção.

O hempcrete (concreto feito com cânhamo) envolve o uso do núcleo de madeira da planta de cânhamo para criar um material que se assemelha ao concreto.

Apesar de parecer algo revolucionário, o cânhamo já era utilizado na construção civil há milhares de anos atrás. 

Nas sagradas cavernas de Ellora, na Índia, obras de arte do século 6 d.C. foram preservadas devido ao uso de um material feito com cânhamo pelos povos antigos.

Pesquisas descobriram que os artistas haviam esmagado a planta do cânhamo e misturado com cal para formar um gesso. A capacidade do cânhamo de repelir naturalmente as pragas e regular a umidade fez com que as obras nessas cavernas sobrevivessem ao tempo.

Um pouco mais à frente na história, o hempcrete foi encontrado em pilares de pontes da França do século VI.

Atualmente, o concreto de cânhamo tem ganhado destaque por ser um excelente isolante, uma alternativa sustentável, leve, não tóxico e à prova de fogo.

Tais usos do cânhamo ao longo da história comprovam a versatilidade da planta Cannabis Sativa L..

Esperamos que, agora (com a crescente aceitação da cannabis), as aplicações diversas da planta possam ser cada vez mais aproveitadas.

Fonte: Way of Leaf

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