Se identificou com o quote?

Então você também vai se identificar com a nova parceira do Ganja Talks, a @bixacultiva.

Bixa Cultiva é cultivadora, hempreendedora canábica (tendo criado um clube de cultivo super inovador no Brasil!) e a mais nova parceira do Ganja Talks, assinando conteúdos exclusivos.

Em entrevista, Bixa Cultiva conta sobre seus projetos canábicos e sobre a collab babado com o Ganja Talks.

Você já cultiva maconha há um tempo… Desde que você começou, qual foi o maior desafio para você nessa jornada?

”Graças ao universo, até hoje só tive problemas relacionados ao cultivo em si, e, sem dúvidas, o maior desafio foi no meu primeiro ciclo do clube de cultivo. Eu estava com viagem marcada para a Spannabis, em Barcelona, e rolou um overfert [fertilização em excesso] nas milhas plantas, junto veio um ataque de mosca branca e trips [pragas que atacam o cultivo da maconha]! Para uma bixa ansiosa como eu… socorro! Passei muito mal, achei que ia perder tudo, chorei várias vezes sentado no chão lá no grow! Mas aí eu levantava, secava as lágrimas e ia matar bicho por bicho nas plantas… Tudo que eu encontrava, eu amassava com os dedos. Mas claro que não foi só isso que eu fiz. Contratei uma garota que faz parte do meu clube até hoje, ela trabalhou bastante, matando os bichos direto nas plantas, e também aplicamos veneno no ambiente, coloquei as armadilhas amarelas pelo grow e comecei a jogar um defensivo orgânico, o Azact CE, a briga foi feia mas no final vencemos as pragas.” 

Como o projeto @bixacultiva começou? De onde veio a ideia?

”O projeto começou a partir da minha indignação com a cena atual brasileira. Bom, primeiro acho importante dizer que eu vivi 12 anos fora do país e me acostumei a ter um contato de qualidade com a erva, sempre fumando flor. Essa coisa de prensado só rola aqui no Brasil mesmo, você pode encontrar flor ruim em outros países, cair num golpe aqui e ali, mas prensado é coisa de Brasil… Enfim, com esse histórico de fumar flor, quando a pandemia bateu forte e eu me vi, de certa forma, preso no Brasil e sem emprego, ja que não pude voltar pro país onde eu morava a trabalhava, a ficha caiu e eu percebi que não poderia sustentar meu consumo da erva com flores. Comprei uns prens, acho que três vezes, e depois disso me revoltei! Decidi que ia cultivar para não fumar mais prensado. De lá pra cá, graças a santa Maria Juana, meu caminho tem sido uma jornada de muito aprendizado e reconhecimento, estou muito feliz!” 

E agora você está com uma iniciativa super bacana, que é o Clube Canábico, certo? Conte mais sobre esse projeto e quais suas expectativas para o Clube no futuro!

”Pois é, o clube nasceu também da minha insatisfação com a cena canábica atual. Quero dizer, os preços praticados por grama hoje em dia são altíssimos e isso só elitiza a erva, empurrando a maioria absoluta dos consumidores ao prensado. Dessa forma também, mesmo sem querer, estamos alimentado o tráfico. Então, analisando toda essa situação eu quis fazer algo pra ajudar a mudar esse cenário e achei que democratizar o acesso à erva seria uma boa saída! Para isso, montei um clube de cultivo, no meu modelo de negócio trabalhamos com foco no serviço de jardinagem, não vendemos flores, mas sim, cuidamos da sua planta. O sócio participa do cultivo do começo ao fim, escolhe a semente, o nome da sua planta e fica sabendo de todos os procedimentos executados através de fotos, vídeos e temos um relatório quinzenal que é enviado aos sócios com mais detalhes do cultivo.”

Além do Clube Canábico e, agora, a collab com o Ganja Talks, tem mais projetos que você pretende desenvolver no meio canábico?

”Sim, meu próximo projeto é o meu HC [Habeas Corpus], eu faço uso medicinal para controlar minha ansiedade e é divino o poder da planta, nossa, me sinto outra pessoa! Também é essencial pro meu sono, quando não consigo fumar fico pelo menos uma hora, uma hora e meia na cama sem conseguir dormir. 

Agora falando da indústria, estou cheia de planos também! Vou investir em conteúdo no meu perfil, ja estou em contato com uma galera para produzir um figurino, cenário, etc… Estou pensando em fazer alguma parceria para podcast e, claro, trabalhar bastante com o GanjaTalks trazendo novidades aí para todes acompanharem essa jornada canábica rumo à legalização!”

Você foi na Spannabis este ano e, recentemente, no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, que aconteceu em São Paulo. Quais foram os momentos mais marcantes para você nestes eventos canábicos de 2022? 

”Maconhemores, o choque mais marcante de todos foi o baque da realidade do atraso que o Brasil vive. Ao mesmo tempo em que fiquei MA-RA-VI-LHA-DAH com tudo que vi e vivi em Barcelona, tanto na feira como depois nos eventos e também conhecendo os Clubes Canábicos de lá, fiquei imensamente triste de perceber o abismo social e industrial que está se formando entre o Brasil e os países que já estão com o mercado legalizado ou em vias de. A quantidade de empresas, empregos, maquinários, tecnologia, entre outras coisas que esta sendo produzida nesses mercados é surreal. Com a proibição que vivemos aqui, infelizmente ficaremos pra trás e não faremos parte da formação dessa indústria no âmbito global. O Brasil, que poderia ser um país de ponta nessa indústria, será reduzido à um país consumidor de tecnologia e de tudo o mais que está sendo desenvolvido hoje em dia pelos mercados legalizados. A cada dia de proibição perdemos a oportunidade de gerar riqueza pro país, continuamos alimentado um mercado ilegal e gastando recursos públicos numa malfadada guerra às drogas. Já passou da hora de mudarmos essa realidade.”

Por estar envolvida na cena canábica e ter participado desse grande evento brasileiro sobre uso medicinal da planta, qual sua opinião sobre a legalização no Brasil? Será que está próxima?

”Enquanto tivermos essa caterva Bolsonarista no poder não tenho muitas esperanças de legalização, essa gente tem orgulho de negar a ciência, parece que quanto mais ignorante, mais reconhecida a pessoa é entre eles, SOCORRO! Mas havendo uma mudança de governo acredito que a coisa mude de figura. A força do capitalismo nos empurrará à legalização, mesmo que seja ela somente medicinal no primeiro momento. O que, pessoalmente, sou contra, acredito que todo uso é medicinal e a legalização deveria contemplar a todes e assim assegurar o direito de quem quiser e precisar, cultivar seu próprio remédio. Falo por experiência própria, se não fumo não durmo bem, ou seja, é um uso medicinal, eu não quero deixar a maconha pra tomar remédios tarja preta pra dormir, esses sim fazem mal, esses sim são drogas, a maconha é uma planta. E atenção a todes que fazem parte desse movimento, precisamos lutar por uma legalização que olhe para as camadas sociais que foram até hoje presas e injustiçadas, não vamos abrir mão dessa reparação social.” 

A gente sabe que a cannabis se intersecciona com muitos debates, como racismo, por exemplo… Na sua opinião, como você vê esse tema (maconha) ”conversando” com a pauta LGBTQIA+?

A história moderna da legalização da maconha é profundamente ligada a pauta LGBT. O movimento de legalização começou a tomar força em função do uso medicinal que a população LGBT fazia da erva pra combater os sintomas do HIV. Para além, somos parcelas da sociedade que historicamente sofreram e ainda sofrem perseguições e preconceitos, o que mais uma vez nos conecta. Um outro ponto no qual a maconha e os LGTB se encontram é a alegria, as gays sempre estão de bom humor e prontas pra uma risada, piadas, bater um cabelo… e nada melhor do que isso tudo com um baseado pra animar. Mais um ponto de conexão que eu vejo é o armário, pois é, o armário não serve só pros LGBT, você maconhemore que não tem coragem de se assumir perante a família, no trabalho ou qualquer outra situação, agora entende o que grande parte dos LGBT enfrenta. Querides, só há uma saída, a porta! Saia desse armário, assuma-se, somos muitos e eles não podem nos parar. Levante a cabeça e encare o mundo, a maconha é linda e não há razão alguma pra se envergonhar.

O que o público pode esperar da collab entre Bixa Cultiva e Ganja Talks?

Muita confusão, com muita qualidade editorial! Vamos ter lives, collabs, reels… e muito mais. Sempre com um olhar político, muita irreverência e pra alegria de todes, chapadah! A ideia é sempre subir o nível do debate, fiquem ligades, vocês vão amar! 

Já na próxima semana – dia 25/05 -, teremos live no perfil do Ganja Talks com a Bixa Cultiva.

Fiquem ligades nos conteúdos que vem muita novidade babadeira nessa collab!

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