Ao longo da história, a Cannabis Sativa L. sofreu muitas mudanças. Uma nova pesquisa investigou as origens da maconha e sua domesticação pelos humanos, originando a erva como a conhecemos hoje.

A partir da análise de pólen antigo, os cientistas já haviam determinado anteriormente que a cannabis evoluiu na Ásia Central no planalto tibetano, há milhões de anos.

Agora, uma nova pesquisa sugere que a planta foi domesticada pela primeira vez no leste da Ásia, cerca de 12 mil anos atrás.

A pesquisa, publicada na revista “Scientific Advances”, usou o re-sequenciamento de todo o genoma de 110 cepas diferentes de cânhamo e cannabis de todo o mundo para estudar suas raízes genéticas.

Além de identificar a China moderna como a origem da domesticação precoce da cannabis, um estudo mais aprofundado da genética das cepas pareceu indicar que essa domesticação inicial era multifuncional – as primeiras cepas de cannabis foram criadas seletivamente para uso na produção têxtil e como intoxicante (para uso recreativo).

Os pesquisadores dizem que essa descoberta fornece uma visão global única da domesticação da cannabis, bem como oferece novos e valiosos recursos genômicos para pesquisas em andamento sobre a criação de strains.

“Ao contrário de uma visão amplamente aceita, que associa a domesticação da Cannabis à Ásia Central […] nossos resultados são consistentes com uma única origem de domesticação de C. Sativa no leste da Ásia, de acordo com evidências arqueológicas iniciais”, escrevem os pesquisadores.

“Os resultados também indicam que algumas das atuais variedades chinesas e plantas selvagens representam os descendentes mais próximos do pool genético ancestral do qual derivaram as variedades e cultivares de cânhamo e maconha desde então.”

Em termos de trabalho futuro, os pesquisadores dizem que ainda são necessárias amostras adicionais de plantas selvagens nessas áreas-chave da Ásia central e oriental, embora seus resultados impliquem que os progenitores selvagens puros da cannabis já foram extintos.

O que isso significa para a história da cannabis?

Além de analisar o histórico demográfico dessas cepas de amostra, os pesquisadores também realizaram um exame mais detalhado dos genes dos dois principais fitocanabinóides da maconha CBDA e THCA.

Estes cananabinóide são a forma ácida do CBD e THC, e eles aparecem na planta exatamente nessa forma. Depois de algumas reações, eles se transformam nos conhecidos canabidiol e delta-9-tetrahidrocanabinol.

Ao realizar a análise dos genomas das cepas, os pesquisadores as dividiram em quatro grupos genéticos: ”tipo cânhamo”, ”tipo droga”, ”tipo droga selvagem” e ”cannabis basal” (estas últimas foram determinadas como “irmãs de todos os outros acessos à cannabis”, e consistiam principalmente de plantas selvagens e variedades nativas do norte da China).

Eles descobriram que cultivares do grupo genético do ”tipo droga” quase sempre mapeavam uma sequência de codificação completa para THCAS e dois pseudogenes CBDAS. Era mais comum no grupo do ”tipo cânhamo” mapear apenas uma sequência completa para CBDAS, com exceção de nove amostras de variedades locais. Em contraste, o grupo basal mostrou um padrão muito mais variável, em relação à presença ou co-ocorrência de qualquer gene da sintase.

Os pesquisadores acreditam que essa perda de sequências completas de codificação THCAS ou CBDAS indica a existência de práticas agrícolas intensivas e seletivas para aumentar a produção de fibras ou propriedades psicoativas, respectivamente. Isso significaria que as primeiras plantas de cannabis já estavam sendo domesticadas especificamente para produção de fibras e uso psicoativo no início do período neolítico da China em 10.000 a.C.

Michael Purugganan, professor de biologia da Universidade de Nova York, que não esteve envolvido nesta nova pesquisa, disse ao New York Times que os resultados do estudo desafiam a suposição comum de que os primeiros humanos estavam focados apenas na domesticação de plantas para alimentação.

“Esse parece ser o problema mais urgente para os humanos: como conseguir comida”, disse Purugganan. “É interessante a sugestão de que desde cedo eles também se preocupavam muito com fibras e até intoxicantes. Levaria a questionar quais eram as prioridades dessas sociedades neolíticas.”

Purugganan acrescentou que permanece um pouco cético sobre como a planta de cannabis poderia ter sido domesticada para uso de drogas ou fibras há 12.000 anos, quando a primeira evidência arqueológica consistente de cannabis usada para esses fins tende a datar de cerca de 7.500 anos atrás na China e no Japão. No entanto, ele também disse que gostaria de “um estudo muito maior, com uma amostragem maior”.

Fonte: The Cannigma

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