Veja como a seleção e criação de novas strains hibridizadas surgiram e levaram à maconha moderna.

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Os produtores de cannabis estão sempre buscando desenvolver variedades mais aprimoradas. Os inúmeros sabores e multiplicidade de efeitos se combinam para criar infinitas possibilidades.

Nos últimos anos, criadores de maconha levaram a diversidade da cannabis para outro nível, cruzando linhagens de todo o mundo.

Com a legalização, a reprodução está se tornando mais fácil do que nunca, o que se reflete no grande número de cepas disponíveis atualmente.

Ao ver essa diversidade, você pode se perguntar: ”de onde vieram todas essas strains?”

A história da maconha moderna se inicia com a prática de hibridizar strains populares de anos atrás.

A criação de diversidade e qualidade de cepas (cada vez mais aprimoradas) exigem uma seleção cuidadosa e serão beneficiadas pelo conhecimento de cepas do passado.

Landraces: as origens das strains modernas

Antigamente, a cannabis era cultivada através de polinização natural. A coleta de sementes era feita das colheitas da cannabis originária de diferentes regiões do mundo.

A partir do cultivo da variedade natural de cada região (as landraces), as sementes eram guardadas e cultivadores plantavam no próximo ciclo, repetindo esse processo e mantendo a genética dessas strains originárias. Esta era a prática padrão até a era moderna.

As landraces são um pouco o resultado da seleção natural. Pressões ambientais, como quantidade de chuva, temperaturas, níveis de umidade e horas de luz solar por dia, juntamente com pressões biológicas, como patógenos e animais herbívoros, determinam a viabilidade de plantas individuais em seu ambiente.

Plantas com características que lhes permitem lidar melhor com essas pressões produzirão, em média, mais pólen e sementes do que plantas menos adaptadas. Portanto, as landraces são bem adaptadas às suas condições locais.

Dentro das strains originárias, as plantas compartilham características comuns, mas também mantêm um nível de diversidade genética.

As landraces são a base dos híbridos modernos. Exemplos notáveis incluem Afghani, Durban Poison, Jamaican, Colombian Gold, Panama Red e Thai.

Início dos cruzamentos

Nas décadas de 1960 e 1970, cultivadores começaram a selecionar landraces com as melhores características (sobretudo período de floração rápido e alto teor de THC) e cruzaram essas cepas.

Em seguida, os growers passaram a selecionar as plantas através da endogamia, que envolve a polinização de plantas fêmeas por plantas irmãs macho.

Com uma seleção cuidadosa, a endogamia por várias gerações produzirá uma linhagem homogeneizada, na qual todas as plantas apresentam as características desejadas. As linhagens homogeneizadas são chamadas de “estabilizadas”, porque sucessivas gerações de endogamia mantêm as características distintivas da linhagem.

Conheça abaixo algumas importantes variedades endogâmicas:

Skunk #1

Talvez a linhagem mais famosa de todos os tempos seja a Skunk #1. Durante o meio e o final dos anos 70, entusiastas canábicos viajantes trouxeram variedades afegãs para a Califórnia. Um coletivo chamado Sacred Seeds surgiu na cena underground no norte da Califórnia e usou a endogamia para estabilizar uma híbrida de Afghani, Colombian Gold e Acapulco Gold para criar a Skunk #1, que surgiu oficialmente em 1981. A Skunk #1 rapidamente se tornou a variedade mais popular na Califórnia e fez história no mundo todo. Em 1982, a polícia da Califórnia fechou a Sacred Seeds, mas um de seus criadores, Sam the Skunkman, conseguiu salvar a genética e levar seu legado adiante.

Na década de 1980, as leis de cannabis da Holanda atraíram produtores e criadores, que fundaram várias empresas de sementes, incluindo o Seed Bank of Holland e o Super Sativa Seed Club. Fugindo da Califórnia, Sam the Skunkman foi para a Holanda, levando a Skunk #1.

O trabalho de reprodução floresceu na Holanda, sem impedimentos do governo, e uma plataforma para enviar sementes para todo o mundo nasceu. Quando a primeira High Times Cannabis Cup foi realizada em Amsterdã em 1988, a Skunk #1 ficou em primeiro lugar.

A natureza homogeneizada e estabilizada da Skunk#1 a tornou perfeita para a criação de novos híbridos. Quando duas linhagens estabilizadas são cruzadas, o resultado é conhecido como um híbrido F1. Os híbridos F1 expressam características de ambas as linhagens de maneira uniforme entre plantas individuais. Os híbridos F1 também costumam exibir “vigor híbrido”, o que significa que o híbrido é mais vigoroso (melhor taxa de crescimento, rendimento, etc.) do que as linhagens parentais. Devido a esses fatores de uniformidade e vigor nos cruzamentos, a Skunk #1 é muito escolhida para reprodução. Atualmente, é uma progenitora de muitas linhagens, provavelmente mais do que qualquer outra linhagem parental.

Northern Lights

Northern Lights (NL) é outra variedade clássica, que levou a inúmeras (e incríveis) variedades híbridas.

Originária do Noroeste do Pacífico, acredita-se que a Northern Lights seja uma linha pura de Afghani. Foi introduzido na cena da cannabis holandesa através do trabalho da lenda Nevil Schoenmakers, fundador do Seed Bank of Holland.

Schoenmakers fez vários cruzamentos e retrocruzamentos com a NL, como NL #5 x Haze, NL #5 x Skunk #1, Silver Pearl e Hash Plant x NL#1.

Em 1991, a Schoenmakers vendeu o Seed Bank of Holland para a Sensi Seeds. A Sensi Seeds oferece, atualmente, uma semente de Northern Lights criada através de extenso retrocruzamento entre três variantes originais de Northern Lights.

Blueberry

A Blueberry é uma cepa híbrida Afghani-sativa estabilizada.

Como uma linha pura, Blueberry hibridiza excepcionalmente bem com outras linhas puras. Reconhecendo a qualidade e compatibilidade reprodutiva da Blueberry, os criadores a utilizaram em inúmeros híbridos, como evidenciado pelo número de nomes “Blue” e “berry” nos atuais catálogos de sementes.

OG Kush

Nenhuma variedade havia impactado o mundo da cannabis moderna de forma tão significativa quanto a Skunk #1 e Northern Lights – até o surgimento da OG Kush.

Os híbridos de OG Kush são praticamente onipresentes em dispensários e catálogos de sementes. Um híbrido de muito sucesso de OG Kush é o Girl Scout Cookies (OG Kush x Durban Poison), que por sua vez já originou muitas outras strains famosas.

O futuro das strains

Com a prática de hibridizar, escolhendo a melhor características de variedades distintas para criar uma variedade aprimorada, é praticamente impossível encontrar strains de linhagem pura atualmente. Exatamente por isso, diz-se que todas as variedades disponíveis são Híbridas, sendo problemático categorizar as cepas atuais entre Sativas, Indicas ou Híbridas.

As variedades desenvolvidas acabam seguindo as preferências dos consumidores, por muito tempo buscou-se criar strains com alta potência, com bom sabores e aromas e fácil cultivo.

Hoje, com o fortalecimento do uso terapêutico da cannabis, cultivadores têm criado strains que possam oferecer um maior número de benefícios medicinais.

Sabemos que o canabidiol é protagonista quando se fala de uso medicinal, principalmente por não conter efeitos psicoativos. Portanto, cultivadores estão dando mais atenção para variedades com alto teor de CBD e concentrações mais baixas de THC.

Essa tendência também surge por conta da legislação de muitos países, que permitem o uso do CBD, mas não do THC. Assim, cultivadores buscam criar variedades com essa característica, para atender a lei vigente em cada local.

Sem dúvida, o cultivo continuará a evoluir, auxiliado pela tecnologia, pesquisa e uma disponibilidade nunca antes vista de cepas. Mas é sempre interessante entender as origens de tudo.

Fique ligade no Guia de Strains do Who is Happy para informações sobre as variedades!

Fonte: High Times

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