Um estudo realizado com os primeiros centros de prevenção públicos de Nova York mostrou sua eficácia em reduzir overdoses.

(Imagem: reprodução The LA Times)

Um novo estudo publicado mês passado na JAMA Network (Journal of American Medical Association) descobriu que os centros de consumo de drogas seguros, inaugurados na cidade de Nova York, ajudaram a reduzir overdoses.

O estudo, conduzido por pesquisadores afiliados ao Departamento de Saúde de Nova York (que supervisiona os centros), cobriu os dois meses do programa em dois locais de consumo diferentes.

Centros de Prevenção de Overdose

Os Centros de Prevenção de Overdose (OPC, sigla do inglês Overdose Prevention Centers) de NY, reconhecidos publicamente nos Estados Unidos, iniciaram suas atividades em novembro de 2021, com apoio do então prefeito, Bill de Blasio.

Os OPCs “são locais seguros onde as pessoas que usam drogas podem receber assistência médica e estar conectadas a tratamento e serviços sociais”, conforme comunicado em ocasião da inauguração.

Autoridades de Nova York elogiaram sua eficácia, dizendo no comunicado de imprensa na época que esses serviços “comprovadamente previnem mortes por overdose e estão em uso em jurisdições ao redor do mundo” e que “nunca houve uma morte por overdose em nenhum OPC”.

Um estudo do Departamento de Saúde da cidade descobriu que “os OPCs na cidade de Nova York salvariam até 130 vidas por ano”.

A iniciativa surgiu em meio à crise de opióides do país. Muitas pessoas viciadas em medicamentos opióides passaram a usar drogas dessa classe de substâncias, o que levou a um crescimento das overdoses nos Estados Unidos. Os Centros de Prevenção oferecem um lugar seguro para consumo dessas drogas.

O então prefeito comentou que ”após décadas de fracasso, é possível uma abordagem mais inteligente”, fazendo referência às políticas proibicionistas. A ideia é trazer uma abordagem de redução de danos focada na saúde pública.

O estudo

Citando dados auto-relatados, os autores do novo estudo apontaram que “a droga mais usada em 2 locais foi heroína ou fentanil (73,7%) e a via mais frequente de administração de drogas no OPC foi injeção (65,0%)”.

“Durante os primeiros 2 meses de operação do OPC, a equipe treinada entrou em ação 125 vezes para mitigar o risco de overdose. Em resposta aos sintomas de overdose envolvendo opióides, a naloxona foi administrada 19 vezes e oxigênio 35 vezes, enquanto a respiração ou os níveis de oxigênio no sangue foram monitorados 26 vezes”, escreveram os autores do estudo. “Em resposta aos sintomas de overdose envolvendo estimulantes (também conhecidos como overamping), a equipe interveio 45 vezes para fornecer hidratação, resfriamento e desescalada conforme necessário. Os serviços médicos de emergência responderam 5 vezes e os participantes foram transportados para os departamentos de emergência 3 vezes. Nenhuma overdose fatal ocorreu em OPCs ou entre indivíduos transportados para hospitais”.

“Este estudo […] descobriu que durante os primeiros 2 meses de operações, os serviços em 2 OPCs em Nova York foram muito usados, com dados iniciais sugerindo que o consumo supervisionado nessas configurações estava associado à diminuição do risco de overdose”, acrescentaram. “Os dados também sugeriram que os OPCs estavam associados à diminuição da prevalência do uso público de drogas”.

Os autores, no entanto, alertaram que os resultados são “limitados pelo curto período de estudo e pela falta de um grupo de comparação com indivíduos que não participam de serviços de OPC” e que uma “avaliação adicional pode explorar se os serviços de OPC estão associados a melhores resultados gerais de saúde para os participantes, bem como resultados em nível de bairro, incluindo uso público de drogas, seringas descartadas indevidamente e crimes relacionados a drogas”.

Porém, o estudo oferece esperança em relação a políticas públicas de redução de danos para reduzir a ”epidemia de overdoses” causada pela crise de opióides.

Na ocasião de inauguração dos OPCs em novembro de 2021, as autoridades de Nova York disseram que “mais de 2.000 pessoas morreram de overdose de drogas na cidade de Nova York [em 2020], o número mais alto desde o início dos relatórios em 2000”, e que os “Centros de Controle de Doenças projetaram que, nos Estados Unidos, mais de 90.000 pessoas morreram de overdose de drogas durante 2020, o pior ano já registrado”.

Por muitos anos, a abordagem adotada para lidar com drogas pesadas foi o proibicionismo e uma ação focada na segurança pública. Centros de Prevenção, onde as pessoas podem consumir drogas de maneira segura, sempre foram muito criticados dentro da mentalidade proibicionista, pois defendia-se que essas iniciativas incentivariam o consumo.

Mas esse estudo e os dados provam o contrário, trazendo uma nova esperança para lidar com o problema.

Fonte: High Times | Imagem de capa: reprodução The Washington Post

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