Durante a gravidez, principalmente no início, é muito comum experienciar náuseas. Mas diversos estudos mostram que a cannabis pode ser eficaz para ajudar nessa questão.

(Imagem: freestocks | Unsplash)

A náusea relacionada à gravidez é uma das experiências mais comuns entre as gestantes. Pode ocorrer a qualquer hora: dia ou noite e, para algumas, pode durar o dia inteiro. Também varia em gravidade; algumas pessoas só têm náusea leve, enquanto para outras mulheres, pode ser debilitante – tanto que podem até perder o apetite.

Quando as mulheres grávidas não conseguem comer devido a náuseas graves, isso pode ter implicações graves: baixo peso ao nascer em bebês, aborto espontâneo, desidratação, encelopatia e até mesmo depressão.

Na medicina, isso é conhecido como hiperêmese gravídica (HG) e geralmente é tratada com medicamentos farmacêuticos convencionais. No entanto, muitos desses medicamentos não funcionam para as mulheres.

Agora, um novo estudo da Universidade da Califórnia, Los Angeles, em conjunto com o Hyperemesis Education and Research Foundation do Oregon, descobriu que a cannabis realmente funciona melhor do que os medicamentos prescritos para o tratamento da hiperêmese gravídica.

Os pesquisadores entrevistaram 550 pessoas que sentiram náusea durante a gravidez. 96% das entrevistadas disseram que usavam medicamentos antieméticos, enquanto apenas 14% disseram que usavam maconha.

A maioria das gestantes que usaram maconha relatou que o fizeram porque os medicamentos antieméticos não foram eficazes no tratamento dessa condição.

Além disso, 82% daquelas que usaram cannabis disseram que conseguiram encontrar alívio nas náusas e que foi eficaz para ajudá-las a ganhar peso.

“Este estudo se soma à crescente literatura que apoia as propriedades antieméticas da cannabis e dos compostos canabinóides, ao mesmo tempo em que sugere seu potencial para tratar HG… Uma minoria de entrevistados nesta pesquisa relatou usar cannabis para HG; no entanto, aqueles que usaram cannabis ou CBPs [produtos à base de cannabis] relataram alívio mais frequente dos sintomas de HG em comparação com aqueles que usaram antieméticos prescritos”, concluíram os autores.

Os autores acrescentaram: “Os produtos de cannabis podem ser percebidos como uma alternativa mais eficaz, mas são necessárias mais pesquisas para entender seu mecanismo e segurança… e resultados fetais para HG refratária.”

Outros estudos

Outros estudos e relatórios semelhantes também produziram resultados positivos entre mulheres grávidas que usam cannabis para HG.

Em 2021, um estudo de Israel, publicado no Journal of Cannabis Research, revelou que a cannabis inalada teve resultados benéficos e melhorou a qualidade de vida de gestantes com HG.

Os pesquisadores analisaram quatro mulheres em particular, que foram avaliadas antes e depois do uso de cannabis.

Todas as quatro mulheres relataram “melhorias altamente significativas” em vômitos, náuseas e ganho de peso.

O uso de maconha também aumentou a pontuação de qualidade de vida.

A pesquisa também apontou que as gestantes que usaram maconha não tiveram impacto no desenvolvimento pré-natal ou pós-natal dos bebês.

Porém, os autores do estudos afirmaram que mais pesquisas são necessárias, em ensaios clínicos de controle.

Em outro estudo de 2021, pesquisadores da Universidade do Novo México (UNM) analisaram os sintomas de HG entre 2.200 participantes, entre 5 minutos a uma hora após o consumo de cannabis.

Eles descobriram que 96% dos pacientes experimentaram alívio em menos de uma hora.

“Os mecanismos por trás da capacidade da cannabis de reduzir rapidamente a sensação de náusea não são totalmente claros, mas envolvem a capacidade da planta de ativar as respostas do receptor CB1 a outros estímulos no sistema nervoso central, como o córtex insular, que está envolvido na interocepção, consciência consciente de estados corporais internos e um exemplo de uma região do cérebro que é naturalmente modulada em parte por endocanabinóides que se desenvolvem naturalmente no corpo humano”, explica o co-autor do estudo, Jacob Vigil, professor associado da UNM.

“Portanto, não é surpreendente que os fitocanabinóides que se desenvolvem na planta cannabis também sejam eficazes para estimular regiões cerebrais semelhantes”, conclui.

Um outro estudo do Canadá corrobora essas descobertas.

Os canabinóides atuam nos receptores CB1 para reduzir o vômito e a motilidade intestinal.

Também foi descoberto que as capacidades antieméticas da maconha acontecem por causa dos receptores CB1 encontrados no complexo vagal dorsal, também conhecido como DVC. O DVC abriga 3 núcleos que ajudam a processar informações do nervo para o intestino, bem como outras estruturas do corpo.

Outra pesquisa ainda sugere que a maneira como os canabinóides interagem com os receptores de serotonina ajuda a reduzir a náusea de forma eficaz.

Apesar das evidências científicas, muitos pesquisadores afirmam que faltam ensaios clínicos mais robustos.

Portanto, é imprescindível se consultar com um(a) médico(a) antes de iniciar o uso de maconha para tratar náuseas na gravidez.

Fonte: The Fresh Toast

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