Apesar da promessa do Talibã em reprimir as drogas, o consumo e produção de ópio só aumentaram sob o regime do grupo.

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Conforme relatado pela Euronews, o consumo e cultivo do ópio só cresce no Afeganistão devido à crise econômica e social.

Com a tomada do país pelo Talibã, ano passado, o grupo havia afirmado que “a partir de agora ninguém mais estará envolvido no tráfico de drogas no Afeganistão, seremos um país livre de drogas”.

Porém, ao que tudo indica, o grupo adotou um posicionamento de repressão às drogas por motivos fundamentalistas e para garantir legitimidade ao seu novo governo no país afegão.

E a realidade mostra que o Talibã está longe de cumprir sua palavra. Não só a economia do país está em jogo com o fim da produção das drogas ilícitas, mas também a principal fonte de lucro do grupo. 

Realidade no Afeganistão

O Afeganistão é um dos maiores produtores de drogas ilegais do mundo, com o maior número de hectares de papoula. E o problema é que parte da população depende do cultivo, produção e venda dessas drogas ilícitas para sobreviver.

Os narcóticos ilícitos são uma das maiores indústrias do país, logo após a indústria de guerra.

No ano passado, a colheita de ópio no Afeganistão foi responsável por 85% da produção mundial.

Além disso, o tráfico ilegal de ópio e haxixe afegão (e paquistanês) é, há tempos, uma das maiores fontes de renda do Talibã. Outras fontes de lucro do grupo são extorsão e cobrança de impostos de fazendeiros de papoula, além da mineração e de doações de fundos de assistencialismo.

Com a tomada do país pelo grupo fundamentalista, esperava-se que o Afeganistão se tornaria um narco-estado. E parece que é o que está acontecendo, com o aumento de produção e consumo de ópio.

As estimativas mostram que, dos 39 milhões de habitantes do Afeganistão, entre 3,4 e 4 milhões são viciados na substância.

A reportagem da Euronews relata que até mil usuários se refugiam sob a ponte Pol-e-shokta, na capital Cabul, todos os dias para comprar e consumir ópio.

Para lidar com a situação, alguns consumidores têm a possibilidade de entrar no hospital Ibn Sina (na capital) para se reabilitar, mas outros são internados à força na prisão para se “recuperarem” do vício. Por quê? O centro de saúde só tem capacidade para mil usuários.

Em diálogo com a mídia europeia, Amin, um usuário de ópio de Cabul, compartilhou a origem de seu sofrimento com a substância.

“Desemprego, falta de apoio familiar. Eu até vi uma explosão diante dos meus olhos. Pessoas despedaçadas, cadáveres voando pelo ar e caindo de volta ao chão. As drogas são a única maneira de escapar da depressão que essas coisas causam”, disse ele na entrevista abaixo.

Por sua vez, o psicólogo especializado Ishaq Auryani explicou que os usuários de ópio tendem a voltar ao consumo, mesmo depois de se reabilitarem.

“Infelizmente, não há acompanhamento depois que eles saem do hospital. Entre 30 ou 40% dos pacientes já foram internados outras vezes”, disse Auryani.

O controle do Talibã no país, interessado na produção de ópio como fonte de lucro, só piorou a situação do Afeganistão e da população não só em relação às drogas, mas em diversos aspectos socioculturais e econômicos.

Fontes: El Planteo e Euronews | Imagem de capa: IranWire

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