O zolpidem é um remédio hipnótico controlado, indicado para o tratamento da insônia, mas virou moda entre os jovens.

Lançado no início dos anos 1990, o zolpidem é um fármaco da classe dos hipnóticos (para indução do sono) receitado para quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono por um tempo adequado.

É um medicamento controlado (vendido apenas com prescrição médica), pois pode causar tolerância ou dependência.

O abuso traz consequências: há o risco de problemas na memória, no raciocínio e na atenção.

O zolpidem tem um efeito sedativo muito rápido, não sendo recomendado administrar mais de uma dose na mesma noite.

Devido ao risco de causar dependência e tolerância, este medicamento não deve ser usado por mais de 4 semanas, sendo que a média recomendada para seu uso é de 2 semanas no máximo.

O remédio pode beneficiar alguns pacientes. O problema acontece quando há o uso indiscriminado e por tempo prolongado.

Efeitos colaterais

Alguns efeitos colaterais que podem ocorrer com o uso de zolpidem são: agitação; pesadelos; dor de cabeça; tontura; amnésia anterógrada; diarreia; náusea; vômito; dor abdominal e dor nas costas; infecção do trato respiratório inferior e superior; cansaço.

Existem relatos de pessoas que apresentaram alucinações durante o uso de zolpidem, assim como sonambulismo e comportamentos durante o sono, como caminhar, dirigir e participar de atividades, não lembrando no dia seguinte.

O risco dos eventos adversos aumentam se a pessoa ingerir o comprimido e não deitar na cama logo depois, como recomendado pelos médicos.

“Nessa situação, o cérebro passa a funcionar como num sonambulismo, em que o paciente não está totalmente acordado e nem totalmente dormindo”, descreve a neurologista Dalva Poyares, da Associação Brasileira de Medicina do Sono e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

É justamente aí que surge o risco de comportamentos imprevistos e inadequados.

Além disso, para diminuir o risco de efeitos colaterais é muito importante tomar apenas a dose indicada pelo médico e evitar o uso de outras substâncias, como álcool, opioides, benzodiazepínicos ou outros fármacos hipnóticos sedativos, já que pode causar sedação, diminuição da respiração, coma e morte.

Nova moda

O zolpidem veio à tona por ter ser tornado uma nova moda de consumo entre os jovens, que têm relatado suas experiências nas redes sociais.

De acordo com médicos ouvidos pela BBC News Brasil, o uso dele tem se popularizado além da conta — o que abre espaço para efeitos colaterais preocupantes e quadros de dependência.

A Anvisa calcula que, entre 2011 e 2018, a venda do fármaco cresceu 560% no país. Apenas em 2020, foram comercializadas 8,73 milhões de caixas desse medicamento nas farmácias brasileiras.

“Apesar de a venda ser controlada e necessitar de prescrição médica, é relativamente fácil obter uma receita hoje em dia”, observa a neurologista Dalva Poyares. “E isso nos gera muita preocupação”, complementa.

O grande problema é que o zolpidem está sendo indicado para qualquer dificuldade no sono e por um tempo prolongado demais.

“Ele está sendo prescrito para tratar o distúrbio de ritmo, que acontece quando indivíduos, geralmente mais jovens, dormem mais tarde e apresentam dificuldades para acordar cedo e ir para a escola, a faculdade ou o trabalho”, descreve a neurologista.

“Nesse contexto, o zolpidem é visto como uma solução rápida e como uma forma de dormir mais cedo, mas ele não é indicado para esse fim”, alerta.

Vale refletir sobre o fato de um medicamento com tantos efeitos colaterais graves seja legalizado e prescrito como tratamento por médicos. Enquanto a cannabis, com efeitos terapêuticos naturais para insônia e melhora do sono, segue ilegal.

Fontes: BBC e Tua Saúde

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